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Correio da Manhã

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Coronavírus já está a matar índios até em aldeias isoladas no meio da Amazónia

Pelo menos oito índios já foram diagnosticados com a doença e três deles morreram.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Abril de 2020 às 17:38
Coronavírus
Coronavírus FOTO: Direitos Reservados
Nem indígenas isolados em aldeias perdidas no meio da imensa selva amazónica, que, em princípio, pareciam protegidos da doença, eminentemente urbana, conseguem escapar totalmente à velocidade de propagação e à letalidade do Coronavírus. Na remota Amazónia brasileira, pelo menos oito índios já foram diagnosticados com a doença e três deles morreram.

A última vítima fatal da Covid-19 entre populações indígenas foi o adolescente Alvanei Xrixana, um índio da lendária etnia Ianomami de apenas 15 anos de idade. Morreu esta quinta-feira no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, capital roraimense, onde estava internado em estado grave numa UTI, Unidade de Tratamento Intensivo, desde o passado dia 3.

Alvanei começou a apresentar sintomas de Covid-19 ainda na sua aldeia, a Aldeia Reheve, no interior do estado de Roraima, no extremo norte do Brasil, principalmente um quadro agudo de dificuldade respiratória. Levado para o principal hospital da capital estadual, em nenhum momento reagiu aos tratamentos e acabou por falecer, tendo a sua morte sido confirmada pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena esta sexta.

Cinco profissionais de saúde que tiveram contacto directo com o adolescente no hospital apresentaram também sintomas de terem contraído o Coronavírus e foram isolados. A secretaria enviou duas dezenas de testes para a aldeia Reheve, para prevenir eventuais casos de infecção pelo vírus entre índios que tiveram convívio com Alvanei.

Antes do adolescente Ianomami, dois outros indígenas já tinham morrido vítimas de Coronavírus. Uma índia da etnia Borari, de 87 anos, que morreu de Covid-19 numa aldeia no interior do município de Alter do Chão, no estado do Pará, e um índio da etnia Muru, que morreu num hospital de Manaus, capital do estado de Amazonas, depois de ter sido contaminado numa aldeia no interior.

Outras quatro pessoas, todas da etnia Kokama, infectados na aldeia onde vivem, em Santo António do Içá, também no interior do Amazonas, estão internadas em hospitais por causa do Coronavírus e a lutar pelas suas vidas. Apesar das medidas, consideradas frágeis e claramente insuficientes, tomadas pelo governo Bolsonaro para proteger as populações indígenas, as infecções estão a acontecer, provocadas por outros índios que regressam às aldeias, por invasores como garimpeiros e criadores de gado, e, principalmente, por missionários de confissões evangélicas que insistem em invadir territórios indígenas em polémicas missões de evangelização e espalham doenças.
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