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Correio da Manhã

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Crise na Venezuela pode deixar estado brasileiro às escuras

Roraima pode ficar sem energia eléctrica e parar todos os serviços, inclusive hospitais, forças de segurança e o próprio governo.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 23 de Fevereiro de 2019 às 23:39
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
Nicolàs Maduro
Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
Nicolàs Maduro
Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
Nicolàs Maduro
Jair Bolsonaro

O aumento da tensão entre a Venezuela e o Brasil, que se agravou de forma inesperada esta sexta-feira com a decisão do contestado ditador venezuelano, Nicolás Maduro, de fechar a fronteira entre os dois países, pode deixar um estado brasileiro inteiro sem energia eléctrica e parar todos os serviços, inclusive hospitais, forças de segurança e o próprio governo. Roraima, o estado brasileiro onde fica a fronteira com a Venezuela, depende totalmente da energia fornecida pelo país vizinho, e, de acordo com o governador, António Denarium, os problemas já se estão a fazer sentir.

"Nos últimos dias, já temos tido cortes diários no fornecimento de energia, e, como consequência, tivemos de recorrer a centrais termoelétricas", declarou Denarium a jornalistas, mostrando-se bastante preocupado com a situação. As poucas centrais termoelétricas existentes em Roraima não têm a menor condição de abastecer todo o imenso estado, incrustado no coração da selva amazônica, e, além disso, a produção de energia nessas centrais é altamente poluidora e tem um custo que o estado não pode suportar por muito tempo.

Roraima é o único dos 27 estados brasileiros que não está integrado ao SIN, Sistema Integrado Nacional, que garante energia a todas as outras regiões brasileiras. Pela proximidade com a Venezuela e a enorme distância a que fica das redes brasileiras de distribuição, o estado é totalmente abastecido pela rede de distribuição de energia venezuelana.

Não houve até agora qualquer aviso ou mesmo sinalização por parte das autoridades da Venezuela de que poderão cortar o fornecimento de energia a Roraima como uma nova retaliação ao governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que já reconheceu como presidente legítimo do país vizinho o líder da oposição venezuelana, Juan, Guan Guaidó, mas a preocupação é nítida. Principalmente porque, após a decisão de Bolsonaro de se juntar à iniciativa dos EUA de enviar alimentos e remédios para a Venezuela contra a vontade de Nicolás Maduro, a tensão ficou muito grande.

Este sábado, também era muito tensa a situação nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia, ambas fechadas por tropas venezuelanas, que tentam impedir a entrada no país da ajuda humanitária, que Maduro afirma ser uma esmola de que o país não precisa e que pode ser igualmente uma tentativa disfarçada de invasão ao país. Na fronteira com a Colômbia houve confrontos entre manifestantes anti-Maduro e as forças leais ao presidente na manhã deste sábado, mas sem consequências de maior, e sexta-feira duas pessoas morreram e ao menos 12 ficaram feridas em outro confronto com as tropas venezuelanas, desta feita na região da fronteira com o Brasil.
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