Este foi o sexto apagão em pouco mais de um ano no país.
Cuba restabeleceu gradualmente esta terça-feira a energia elétrica, após um novo apagão generalizado, num contexto da grave crise energética na ilha, que se encontra sob pressão dos Estados Unidos.
Este foi o sexto apagão em pouco mais de um ano no país, onde situação energética se tem agravado significativamente após o Governo norte-americano ter proibido a comercialização de petróleo venezuelano para a ilha e ameaçado impor tarifas aos países que entreguem petróleo ao país.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, já avisou por diversas vezes que tenciona controlar a ilha e na segunda-feira avisou mesmo que terá "a honra" de tomar Cuba e fazer "o que quiser" do país.
"Seja libertando-os" ou "tomando-os", "acho que poderei fazer o que quiser com eles", disse Trump na Casa Branca.
Ao meio-dia de esta terça-feira, cerca de 45% dos lares de Havana, onde vivem 1,7 milhões de habitantes, já tinham novamente energia elétrica, anunciou a empresa nacional de eletricidade (UNE).
As autoridades ainda não forneceram informações sobre a origem da falha geral que ocorreu na segunda-feira ao meio-dia, indicando apenas que não tinha sido detetada qualquer avaria na rede
Em Cuba, a rede elétrica foi restabelecida esta terça-feira de manhã desde Pinar del Río, no extremo oeste, até Holguín, no centro-leste do país, ou seja, mais de dois terços do território, informaram as autoridades.
A companhia de eletricidade do país está agora a tentar aumentar a produção de eletricidade para que a corrente chegue às residências.
"O que mais tememos é que o corte se prolongue e que percamos o pouco que temos no frigorífico, porque tudo é caro", afirmou esta terça-feira de manhã à agência de notícias France-Presse Olga Suarez, uma reformada de 64 anos, no bairro do Vedado, no centro da capital.
"Quanto ao resto, habituamo-nos, porque aqui deitamo-nos e levantamo-nos sem luz" devido aos cortes diários, adiantou.
O Governo cubano afirma que as sanções norte-americanas o impedem de reparar a rede elétrica, embora economistas apontem para um subinvestimento crónico do Estado neste setor.
Na segunda-feira, o Governo cubano anunciou que a diáspora cubana, nomeadamente a que reside nos Estados Unidos, poderá investir na ilha em diversos setores, nomeadamente nas infraestruturas e na rede elétrica.
"Cuba está disposta a manter uma relação comercial fluída com as empresas americanas", bem como "com os cubanos residentes nos Estados Unidos e os seus descendentes", declarou o ministro do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro, Oscar Perez-Oliva Fraga, que também é vice-primeiro-ministro, numa entrevista à emissora norte-americana NBC.
O ministro esclareceu que esses investidores poderão ter a sua própria empresa na ilha.
A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, tem vindo a sofrer, há mais de dois anos, cortes de energia generalizados e recorrentes, por vezes com duração de vários dias.
No início de março, dois terços do território, incluindo Havana, já tinham sido afetados por um corte de energia.
Há dois meses que as entregas de petróleo provenientes da Venezuela, principal fornecedor de Havana, estão interrompidas e a administração dos EUA ameaça sancionar qualquer país que envie petróleo para a ilha das Caraíbas.
No entanto, os dois países estão em negociações, reconheceu Havana na semana passada.
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