Para Pedro Sánchez, a Espanha "é de quem a ama e a trabalha" e não "de quem a envergonha com declarações xenófobas".
Os governos espanhol e francês classificaram este domingo como racistas e xenófobas as declarações do ex-chefe do Governo espanhol Mariano Rajoy sobre a seleção francesa de futebol, que disse ser uma equipa boa, mas "sem franceses".
Em causa está uma coluna de opinião escrita pelo ex-Presidente do Governo espanhol (PP, direita) entre 2011 e 2018, em que classifica a equipa francesa presente no Mundial2026, que defrontará a espanhola nas meias-finais na terça-feira, como "um coletivo de muito alto nível, sim, sem franceses".
A embaixada de França em Madrid recordou que "todos os jogadores da seleção francesa são franceses" e que, "dos 26 jogadores, 23 nasceram em França" e os que não nasceram "são igualmente franceses".
Também o atual chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez (PSOE, esquerda), apelidou as palavras do seu antecessor como "declarações xenófobas".
"Há quem ainda meça a pertença pelo nome da família, pelo lugar de nascimento e pela cor da pele. Outros medem-na pelo apego a um país e pela vontade de contribuir para ele. Jogando futebol. Cuidando dos nossos idosos. Abrindo negócios", disse este domingo o líder espanhol na rede social X, numa publicação em resposta às declarações de Rajoy.
Para Pedro Sánchez, a Espanha "é de quem a ama e a trabalha" e não "de quem a envergonha com declarações xenófobas".
"França, vemo-nos nas meias-finais. Que ganhe o melhor e que perca o racismo", conclui a mensagem do chefe do executivo de Madrid.
Também o ministro dos Transportes, Óscar Puente, apelidou Rajoy de "racista" e "idiota pós-franquista corrupto".
Já em França, coube ao ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificar as declarações de Rajoy como "absolutamente inaceitáveis" numa entrevista à BFM TV.
"Se essa declaração for verdadeira, é absolutamente inaceitável. Não reflete, em absoluto, o que é a França", apontou o ministro.
O responsável francês disse que a "França é um país diverso em que toda a gente se pode desenvolver" e considerou que "há uma França, simplesmente, que é uma República em que toda a gente pode encontrar o seu lugar".
"Creio que nos distanciamos disso quando acontecem declarações destas. Não damos uma imagem de esperança a muitos jovens que vivem nos bairros e que são cidadãos da República", frisou.
Também a ministra responsável pela Igualdade de Género, Aurore Bergé, falou em "repetidos deslizes racistas" e "intoleráveis", e a Ministra dos Territórios Ultramarinos, Naima Moutchou, pediu à Federação Francesa de Futebol que tomasse "todas as medidas legais adequadas" relativamente às declarações do ex-presidente do Governo espanhol.
Já o líder do PS francês, Olivier Faure, respondeu a Rajoy dizendo que "a equipa francesa só tem franceses" e o país "não é uma nação étnica, não tem cor de pele nem religião", sendo "uma nação política unida em torno do lema republicano", para "grande desgosto da direita racista".
"Ontem, uma senadora do Paraguai, agora um ex-primeiro-ministro de Espanha: não conseguem evitar expressar um racismo flagrante numa tentativa de irritar a nossa maravilhosa equipa francesa", disse também o líder do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel.
A senadora paraguaia Celeste Amarilla foi acusada de racismo após ter chamado o jogador francês Kylian Mbappé de "camaronês colonizado" após a derrota do Paraguai por 1-0 frente à França.
Na rede social X, a política escreveu: "O bruto nem sequer aprendeu a escrever, em vez do leite materno chupava cocos e o mais instruído que ouviu eram chimpanzés".
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