Ministro da Administração Interna quebrou o silêncio sobre a polémica contratação de um empreiteiro, seu amigo pessoal, para obras na PJ.
O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, quebrou o silêncio sobre a polémica contratação de um empreiteiro, seu amigo pessoal, para obras na PJ, numa entrevista exclusiva ao NOW, este domingo.
Recorde-se que o caso foi revelado na edição desta semana do jornal ‘Nascer do Sol’, que menciona que a empresa Construbarcelos, de João dos Santos Carvalho, assinou vários contratos tendo em vista a renovação dos edifícios-sede da PJ na Guarda e em Évora, durante o período em que Luís Neves eram Diretor Nacional da Polícia Judiciária.
Luís Neves começou por negar as acusações do partido Chega, que em comunicado afirma que o ministro, aquando de uma discussão sobre o SIRESP, se dirigiu à bancada parlamentar dizendo: "vais pagá-las todas, vais engoli-las todas". O Ministro da Administração Interna exclui a hipótese de intimidação policial colocada pelo partido de André Ventura e frisa que "os polícias não trabalham assim". Afirma ainda que "é uma afronta a todos os polícias quando se diz que foi feita uma intimidação policial" e que as palavras que proferiu não correspondem às mesmas referidas pelo Chega em comunicado.
Sobre a polémica contratação de um empreiteiro, seu amigo pessoal, para obras na PJ, Luís Neves diz que o empresário teve um relação com a PJ desde 2019 a 2025 e que "durante 4 ou 5 anos não sabia quem era a pessoa". Ainda assim, confirma que conheceu a pessoa em causa em 2023 e que em 2024 mantinham uma relação "mais próxima". Explica que comprou um monte alentejano, que tinha obras por realizar e que o empreiteiro era "uma pessoa que trabalhava bem, uma pessoa de confiança".
O Ministro da Administração Interna admite que "hoje faria de maneira diferente", mas reforça que não conhecia "o grosso da adjudicação que esta pessoa teve" e que todos os contratos da PJ passam por várias fases antes da adjudicação. Acrescenta que ainda existem obras que foram adjudicadas e que permanecem por concluir. "Tinha confiança para não exigir contrato" ao empreiteiro, uma vez que "era e vai continuar" a ser seu amigo, explica Luís Neves durante a entrevista ao NOW.
Deixa ainda claro que todo o processo interno de escrutínio sobre o caso "está tranquilo e ao dispor de toda a gente" e disponibiliza-se para dar "as explicações que tiverem de ser dadas". O ministro diz já ter feito várias obras e que em vários momentos, na sua vida pessoal, não fez qualquer tipo de contrato, e salvaguarda-se dizendo que "ninguém vai passar uma fatura que não está paga".
Luís Neves reforçou que existem vários passos antes de os contratos chegarem até si e que muitos nem foram assinados pelo próprio. "Desde que conheci esse senhor menos de 4% das execuções é que lhe foram adjudicadas", afirmou. "A minha integridade pública é à prova de bala", reforça, dizendo que "não podia ter existido favorecimento". De seguida, o ministro continuou a defender-se: "tenho uma única conta bancária, o meu registo financeiro é todo escrutinável".
Em relação à reação de Luís Montenegro relativamente à polémica, o ministro limitou-se a dizer que "se houvesse algum problema, o assunto já teria sido resolvido".
Já sobre negociações do Governo com o Chega, Luís Neves explica que "o Governo é minoritário no parlamento e que, se quer fazer mudanças, tem de encontrar em alguns temas suporte parlamentar". "Desde que nada viole os meus princípios humanistas, estarei bem", frisa o ministro da Administração Interna, dizendo "que todos os ministros têm a liberdade de darem a sua opinião de uma maneira franca e aberta".
Relativamente aos incêndios que têm assolado Portugal e Espanha, o ministro deixa um único apelo: "Os conselhos das autoridades devem ser respeitados". E aproveitou ainda para prestar homenagem ao "excelente trabalho" que tem vindo a ser desenvolvido pelos bombeiros.
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