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Deputados portugueses defendem parceria de Pequim em tempos incertos

"Portugal deve ter em conta" o parceiro chinês, apontam.

11 de abril de 2026 às 10:15

Deputados portugueses defenderam este sábado, em declarações à Lusa em Macau, que "num mundo de grande incerteza", Portugal deve "ter em conta" o parceiro chinês.

"Nestes tempos bastante sombrios, em que a guerra voltou à Europa e em que temos também num parceiro tradicional, como eram os Estados Unidos, uma grande instabilidade, acho que a China é uma referência de estabilidade", disse à Lusa a deputada Edite Estrela.

"Estamos a viver num mundo de grande incerteza e o que é importante é que na China não há instabilidade", reforçou.

A histórica do PS integra a delegação do presidente da Assembleia da República (AR), José Pedro Aguiar-Branco, na visita à China, que arrancou na quarta-feira em Pequim, passando por Xangai, Macau e que termina hoje em Hong Kong.

"Não quero com isto dizer que a China deve ser um parceiro privilegiado, digo que tem de ser tido em conta", continuou a deputada, em declarações à Lusa num passeio com a comitiva pelo centro histórico de Macau.

Edite Estrela, que integrou no passado a delegação das relações União Europeia-China no Parlamento Europeu, notou ainda que, neste sentido, se a relação Bruxelas-Pequim "não tem sido aprofundada, deve" ser, não apenas por motivos geoestratégicos, mas "por questões que têm a ver com recursos energéticos, a questão digital e da inteligência artificial".

"Uma das coisas de que me apercebi, ao nível do discurso das autoridades chinesas, é a grande preocupação com questões ambientais, coisa que não havia no passado. Quando eu cá estive, quando era deputada europeia, não havia essa preocupação", referiu.

A delegação, que acompanha a segunda figura do Estado português na visita, integra os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP).

No mesmo sentido, notando que Pequim é um "'player' mundial" que não "pode ser desprezado", a deputada do Chega afirmou que a visita de Aguiar-Branco ao país asiático "é um sinal de que Portugal está atento".

"Deveremos atrair todo o investimento que traga benefícios para os portugueses e para o país. Por essa razão, penso que estas relações com a China são importantes", indicou.

A visita do presidente do parlamento português decorre ainda num contexto de retoma dos contactos políticos presenciais de Portugal com a China após a pandemia, que teve o ponto mais alto na visita do primeiro-ministro, Luís Montenegro, a Pequim, com passagem por Macau, em setembro.

Hugo Carneiro, presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China, declarou à Lusa que a visita do líder da AR foi "muito oportuna" e sublinhou as "relações históricas com a China"

"Essas relações são firmadas e comprovadas ao longo dos tempos pela interação dos vários agentes culturais, sociais, políticos, económicos, e eu também tenho a oportunidade de testemunhar isso em Portugal com os contactos que mantemos com a comunidade chinesa", reforçou, ao descer a escadaria das Ruínas de São Paulo, ex-líbris do território chinês.

Sobre Macau, onde se encontra pela primeira vez, o deputado do PSD disse ter constatado que os portugueses "estão plenamente integrados" e "são bem tratados pela comunidade local": "isso é muito bom, quando dois povos podem interagir e manter esta relação de amizade só nos deve deixar orgulhosos."

Questionado sobre o papel de Macau enquanto plataforma entre o universo lusófono e a China, estabelecida por Pequim em 2003, com a criação do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Carneiro notou que, no caso de Portugal, "os contactos que em cada momento os diferentes atores têm mantido, sejam eles políticos ou empresários, agentes culturais, devem permanecer e ser alimentados".

Edite Estrela defendeu, por sua vez, "que é sempre possível fazer mais e melhor", e que espera que haja a preservação da língua portuguesa, "um património inestimável"

Também Feliciana Vital notou que há mais a fazer. "É importante e é um bom exemplo - até em comparação com o que aconteceu, por exemplo, em África - que aqui estamos a conseguir ficar com, digamos, um pé dentro, deixar a nossa marca e ter alguma influência", disse à Lusa.

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