A NASA concluiu com êxito, na madrugada desta terça-feira, o lançamento da última de cinco sondas multinacionais que em Janeiro próximo vão ser os olhos e os ouvidos da Humanidade no planeta mítico da imaginação humana: Marte.
O foguetão Delta 2, que leva a bordo a sonda Opportunity (um pequeno veículo de seis rodas que vai explorar o solo marciano), falhou o lançamento por cinco vezes, a última das quais ainda esta madrugada. Problemas técnicos, más condições climatéricas e até um barco de pesca em zona proibida adiaram um lançamento que estava previsto para o passado dia 25 de Junho.
Esta madrugada, a contagem decrescente foi interrompida uma derradeira vez, a sete segundos do lançamento, cerca das 03h30 (hora de Lisboa), devido a um problema numa válvula de pressão. Quarenta e três minutos depois o foguetão descolou, deixando um rasto vermelho no céu da Florida e levando com ele a ousadia e a esperança da comunidade científica. O sucesso foi saudado com entusiasmo, até por que a NASA só tinha até ao próximo dia 15 para lançar o foguetão, aproveitando a janela de oportunidade que coloca os dois planetas mais próximos, reduzindo para sete meses uma viagem que costuma demorar entre nove a dez meses. A distância é de 483 milhões de quilómetros e no Espaço já avançam outras sondas a caminho de Marte, nomeadamente uma europeia, à velocidade de 30 quilómetros por segundo.
O MÊS DE MARTE
Janeiro será o mês de Marte. Nesse mês, cinco sondas vão chegar ao Planeta Vermelho, com a missão de analisar a atmosfera e o solo, à procura de respostas para a teoria de que aquele planeta albergava condições de vida há milhões de anos, quando a vida nascia na Terra. Pelo menos uma das sondas vai permitir-nos ouvir, pela primeira vez, os sons da superfície de Marte.
Os milhões e milhões de dólares e de euros investidos nesta aventura marciana constituem, no entanto, um capital de elevado risco, já que apenas um terço das cerca de 30 missões realizadas a Marte resultaram. E apenas três em cada nove tentativas de aterrar no planeta tiveram sucesso. A última missão da NASA a Marte, por exemplo, foi lançada em 1999 e ambas as sondas que a compunham perderam-se na órbita do planeta.
E para que a aventura produza resultados é preciso, fundamentalmente, que a aterragem das sondas seja feita com sucesso. Elas vão descer de pára-quedas nos céus de Marte e cair já perto do solo, sendo a sua queda amparada por uma bola de ‘air-bags’. Este será o momento nobre da missão.
CINCO SONDAS
Ao todo, cinco sondas vão chegar a Marte em Janeiro próximo. A mais antiga é a japonesa Nozomi (Esperança), uma missão orbital que está quatro anos atrasada. A sonda foi lançada em 1998 mas durante o trajecto desenvolveu problemas graves com a gestão de combustível, levando os cientistas a lançar a sonda em rota alargada, aproveitando os balanços gravitacionais, o que atrasou em quatro anos a sua chegada a Marte.
No passado 2 de Junho, o Expresso Marte descolou para o Espaço, dando início à primeira missão europeia ao Planeta Vermelho. A bordo do foguetão seguem duas sondas, uma orbital e outra de exploração do solo, denominadas Beagle-2.
A Nasa lançou no passado dia 10 de Junho o “Spirit” e hoje lançou o “Opportunity”, dois pequenos robôs gémeos que vão aterrar a cerca de 9.700 quilómetros de distância um do outro e explorar o solo marciano durante três meses.
Os olhos e os ouvidos do Mundo vão estar em Marte. Quem não se lembra das fantásticas imagens do solo marciano obtidas em 1997 pelo ‘rover’ “Pathfinder”? Agora vai haver som e as imagens serão de melhor qualidade. Esses são os resultados que animam a imaginação popular, mas para os cientistas a grande vantagem são os instrumentos de análise mais avançados que as sondas transportam.
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