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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Dezenas de milhares protestam contra cortes orçamentais na Bélgica

Governo federal prepara grandes cortes na proposta de orçamento de 2026.

14 de outubro de 2025 às 13:27

Dezenas de milhares de pessoas contestaram esta terça-feira em Bruxelas cortes orçamentais do Governo belga, liderado pelo conservador flamengo Bart De Wever, num protesto que também perturbou os setores dos transportes e da educação.

Este dia de ação no país, convocado pela intersindical, acontece quando estão a decorrer negociações orçamentais na Bélgica.

O governo federal prepara grandes cortes na proposta de orçamento de 2026, cuja apresentação, inicialmente prevista para esta terça-feira, foi adiada uma semana.

A polícia contabilizou 80.000 manifestantes na capital belga, um número significativamente maior do que as 60.000 pessoas mobilizadas em 13 de fevereiro, após a formação do novo Governo federal.

O executivo belga "está a implementar um projeto brutal: um ataque em grande escala à proteção social, aos serviços públicos, à segurança social, à solidariedade", acusou o grupo intersindical.

"Uma geração inteira recusa-se a permitir que sejam destruídos em seis meses o que os nossos pais e avós demoraram muito tempo a construir", disse Thierry Bodson, presidente da FGTB (socialista), unida aos outros grandes sindicatos belgas numa frente comum, no início da manifestação.

O primeiro-ministro, Bart De Wever, que tomou posse no início de fevereiro, já adotou um limite de dois anos para o subsídio de desemprego e tenciona implementar uma vasta reforma das pensões, incluindo a abolição dos regimes especiais e o alinhamento da situação dos funcionários públicos com o setor privado.

"Direito à reforma aos 65 anos" e "Procurados por roubo de pensões", podia ler-se nos cartazes dos manifestantes, entre faixas e bandeiras sindicais.

Os manifestantes, nomeadamente nos setores educativo e social, protestam também contra as medidas de redução de custos na parte francófona do país, anunciadas pelo executivo da Federação Valónia-Bruxelas.

"Venho reivindicar os meus direitos e os dos meus alunos, se continuar assim, que futuro terão? Quero que isso mude e que o ensino seja levado mais a sério", disse Victoria Coya, uma professora de 27 anos, citada pela agência de notícias France-Presse.

Chantal Desmet, de 59 anos e desempregada, disse estar "revoltada com o futuro dos filhos", que não conseguem encontrar emprego, rematando: "Tenho pena dos jovens".

Devido a este dia de ação, o tráfego aéreo foi severamente interrompido na Bélgica.

"Para podermos continuar a garantir a segurança dos passageiros e funcionários, decidimos, em consulta com as companhias aéreas, não operar voos de passageiros com partida em 14 de outubro", anunciou o aeroporto de Bruxelas-Zaventem, o maior do país, na página oficial.

Os voos que chegam também correm o risco de serem cancelados. O aeroporto justificou com uma greve dos prestadores de serviços de segurança.

O aeroporto de Charleroi, pelas mesmas razões, "não poderá operar os voos programados para partida e chegada" durante o dia, avisou.

Os transportes públicos foram também gravemente perturbados em Bruxelas, bem como na Valónia e na Flandres, devido a este apelo à mobilização.

Várias pessoas foram detidas pela polícia esta manhã (hora local), depois de terem causado danos e deflagrado incêndios nas imediações da circular interna de Bruxelas.

A agência de notícias Belga também deu conta de confrontos entre manifestantes de cara tapada e a polícia.

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