Presidente do Brasil acusa oposição de querer cortar nos apoios sociais.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, reiterou este sábado que vai "resistir até ao fim" e que o processo de destituição de que é alvo resulta da vontade da oposição de cortar nos apoios sociais.
"Nós fizemos escolhas, porque o dinheiro é finito, então, você tem de escolher onde gastar. Nós escolhemos ampliar o gasto na agricultura, na produção e nos programas sociais (...) Nós fizemos, de facto, uma escolha diferente da dos nossos antecessores", disse Rousseff, na cerimónia de inauguração da Embrapa Pesca e Aquicultura, citada pela Agência Brasil.
Para a presidente, a situação no país "é uma tentativa clara de fazer uma eleição indireta para colocar no governo quem não tem voto suficiente para lá chegar", e alertou que o novo governo que venha a tomar forma, caso ela seja afastada, pretende reduzir o programa Bolsa Família aos 5% mais pobres do país, o que significa dez milhões de pessoas, sendo que, atualmente, abrange 46 milhões de brasileiros.
"O foco é tirar do [programa] Bolsa Família 36 milhões de pessoas. Isso porque eles sabem que o gasto do Bolsa Família é de menos de 1% do PIB [Produto Interno Bruto], um dos menores do país. E aí querem fazer economia com o dinheiro dos pobres? Jamais se elegeriam", afirmou.
Deputado do PT apresentou recurso para tentar bloquear a destituição
Também hoje um deputado do partido brasileiro dos Trabalhadores (PT), no poder, apresentou um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar bloquear a destituição da Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que deverá ser votado no Senado, na quarta-feira.
O deputado Paulo Teixeira pediu ao STF para anular a votação do passado dia 17 de abril, que considera ser nula, já que os líderes dos partidos fizeram pressão sobre os seus deputados.
Na sexta-feira, a comissão especial do Senado brasileiro votou a favor do pedido de destituição de Dilma Rousseff do cargo de presidente, um processo que segue agora para plenário, onde será decidida a continuidade da presidente no cargo.
Dos 21 senadores que compõem a comissão, 15 votaram a favor e cinco contra o relatório do senador António Anastasia, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), favorável à admissibilidade do processo contra Dilma Rousseff.
O relatório, que precisava apenas de uma maioria simples de 11 votos para ser aprovado, aponta que há elementos suficientes para que o processo seja aberto e que Dilma Rousseff seja julgada pelo crime de responsabilidade.
A presidente brasileira é acusada pela oposição de maquilhar as contas públicas em 2014, o ano da sua reeleição, e de ter usado em 2015 dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas "pedaladas fiscais".
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