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Donald Trump teme que crise económica seja mais mortal do que pandemia de coronavírus

Presidente norte-americano anunciou a possibilidade de atenuar as medidas de contenção da propagação do novo coronavírus.

24 de março de 2020 às 19:17

O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse esta terça-feira temer que a recessão económica faça mais mortes do que a pandemia, anunciando a possibilidade de atenuar as medidas de contenção da propagação do novo coronavírus.

"Podemos perder várias pessoas por causa da gripe. Mas corremos o risco de perder mais pessoas ao mergulhar o país numa recessão ou depressão grave", disse Trump, referindo-se à possibilidade de a crise provocar "milhares de suicídios".

Numa entrevista à cadeia televisiva Fox, Trump disse desejar que a atividade económica dos EUA pudesse retomar a normalidade o mais depressa possível e admitiu atenuar as regras de distanciamento social até agora impostas, para combater a pandemia, de forma a conseguir colocar os trabalhadores a produzir.

"Temos de voltar ao trabalho, muito mais cedo do que as pessoas pensam", disse Trump, referindo-se à duração das regras de confinamento.

A Casa Branca anunciou que está a ponderar formas de facilitar as orientações de distanciamento social que tiraram os trabalhadores dos seus postos, encerraram escolas e estão a provocar uma desaceleração generalizada da economia.

Trump lembrou que também milhares de pessoas morrem de gripe sazonal ou em acidentes automóveis, reiterando a necessidade de impedir que a economia entre em colapso.

A avaliação do Presidente acontece no momento em que a Casa Branca está a pedir ao Congresso para aprovar um pacote de estímulo económico de mais de dois biliões de euros, para aliviar a asfixia financeira de famílias e empresas.

Também o vice-Presidente, Mike Pence, disse que a Casa Branca está a procurar formas de conseguir colocar as pessoas de volta ao trabalho, minimizando o risco de saúde pública.

O entusiasmo sobre o regresso à normalidade, de Donald Trump, contrasta com as previsões da Organização Mundial de Saúde, que hoje disse haver o risco de os Estados Unidos se tornarem o epicentro mundial da pandemia de covid-19, devido à rapidez de crescimento de infetados no país.

O mais recente balanço sobre a situação nos EUA, divulgado na madrugada de hoje pela OMS, mostra que o número de pessoas infetadas e de morte com covid-19 duplicou nas últimas 24 horas, elevando o número total para 31.573 casos positivos e 402 vítimas mortais.

"Estamos a assistir a uma disseminação muito rápida de casos nos EUA", disse hoje Margaret Harris, porta-voz da OMS, numa conferência de Imprensa, em Genebra, no mesmo dia em que as autoridades norte-americanas revelaram que Nova Iorque está a ver o número de casos confirmados duplicar a cada três dias.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 386 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 17.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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