Shaima foi baleada pelas costas quando se dirigia para uma homenagem às vítimas da revolução que depôs Hosni Mubarak.
O Ministério Público do Egito vai levar a julgamento um polícia acusado de matar Shaima al-Sabbagh, uma militante socialista atingida a tiro numa rua do Cairo em janeiro, na véspera do 4.º aniversário da revolta de 2011.
As imagens da morte de Shaima, baleada pelas costas quando se dirigia para uma homenagem às vítimas da revolução que depôs Hosni Mubarak, provocaram indignação no país e no estrangeiro e levaram o presidente, Abdel Fattah al-Sissi, a exigir que o responsável fosse levado à justiça.
As fotos mostravam Shaima, 34 anos e mãe de um rapaz de cinco, primeiro ainda em pé, com sangue na cara e na roupa, depois a ser agarrada por outro militante e por fim a deslizar até cair no chão. "Trata-se do primeiro agente a ser julgado pela morte de um civil no contexto de uma manifestação", desde a vaga de repressão de manifestações que se seguiu à deposição do presidente islamita Mohamed Morsi, segundo um especialista em assuntos judiciais e policiais da organização não-governamental Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais, Karim Ennarah, citado pela agência France Presse.
Após a deposição de Morsi pelo exército, em julho de 2013, os apoiantes do presidente islamita foram alvo de uma violenta repressão pelas autoridades, que se saldou em 1.400 mortes, mas outros manifestantes, nomeadamente laicos, foram também visados.
A investigação à morte de Shaima, militante da Aliança Popular Socialista, concluiu que ela foi morta a tiro por um agente da polícia antimotim durante a dispersão de uma manifestação organizada por aquele partido a 24 de janeiro, véspera do 4.º aniversário da revolução de 2011, segundo o comunicado do Ministério Público.
O grupo de manifestantes dirigia-se para a praça Tahrir, epicentro da revolta, para depor flores em memória das centenas de manifestantes pró-democracia mortos durante a revolução. As pessoas que acompanhavam Shaima vão ser julgadas por violação da polémica lei que proíbe manifestações não autorizadas pela polícia, acrescenta o comunicado sem precisar quantas são.
O polícia acusado de ter morto a militante não vai ser julgado por homicídio nem por homicídio involuntário, mas por ter infligido ferimentos que provocaram a morte e ter ferido deliberadamente outros manifestantes, segundo o comunicado.
"Quando o Ministério Público não pode evitar uma acusação formal (de polícias), quando os abusos são flagrantes e comprovados, recorre a acusações fracas", comentou Ennarah.
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