Os líderes políticos espanhóis exerceram este domingo o seu direito de voto repetindo apelos à participação massiva dos eleitores numa jornada essencial para o futuro do país, num momento de grande instabilidade económica.
Praticamente todos os líderes dos principais partidos preferiram votar durante a manhã deste domingo, alguns madrugadores e presentes nos locais de votação pouco depois das 9h00 altura em que abriram as urnas em Espanha continental e no arquipélago das Baleares (uma hora depois nas Canárias).
Alfredo Pérez Rubalcaba, candidato do PSOE à presidência do Governo, foi um dos primeiros a votar, apelando aos cidadãos para que participem massivamente na votação, um momento de "encruzilhada histórica". "Espanha vive uma encruzilhada histórica. Os próximos quatro anos são muito importantes para o nosso futuro e nestas condições é quando é mais importante que se vote", afirmou, depois de votar.
Mais tarde do que inicialmente previsto, e no centro de Madrid, votou o favorito nas eleições deste domingo, Mariano Rajoy, líder do Partido Popular (PP), que se mostrou animado com a jornada, mostrando-se preparado para "o que os espanhóis queiram".
"Estou há muitos anos na actividade política. Tive muitas responsabilidades, fui vereador durante muitos anos e estou preparado para o que os espanhóis queiram", disse, questionado sobre se está preparado para ser o vencedor das eleições. "Quero que os espanhóis escolham os seus governantes e quero que os seus governantes estejam à altura. Neste momento, uma votação de muita gente será, sem dúvida, uma mensagem de grande significado, para todo o mundo", disse.
Também o ainda presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, apelou à participação dos espanhóis na jornada eleitoral, mostrando-se confiante no futuro que, insistiu, está "mais que nunca, nas mãos dos cidadãos".
Depois de votar, aos jornalistas presentes recordou que a democracia "é a maior conquista" de Espanha como sociedade, sublinhando que nas eleições gerais a máxima participação é "muito positiva" para o futuro do país. "O voto é o melhor caminho para enfrentar os problemas e os desafios do país", afirmou. "O futuro, hoje mais do que nunca, está nas mãos dos cidadãos", afirmou Zapatero, mostrando-se confiante da elevada participação e de que Espanha sairá, reforçada, das urnas.
Noutro ponto do país, em concreto no País Basco, o chefe do Governo regional, Patxi López, recordou o facto histórico das eleições deste domingo decorrerem sem a ameaça da ETA, pelo que é necessário um "voto massivo" da sociedade desta região espanhola.
Depois de votar, o lehendakari (chefe do Governo basco) recordou que "verdadeiramente, em Euskadi (País Basco), hoje é dia de festa da democracia".
"É a primeira vez que realizamos umas eleições em absoluta liberdade, sem nenhum tipo de ameaça ou extorsão e devemos celebrar isso como corresponde: votando", afirmou. López mostrou-se "convicto que a sociedade basca sabe a importância do que está em jogo, sabe a extraordinária importância das decisões que tem que adoptar o Governo que saia das urnas".
Cerca de 36 milhões de eleitores escolhem hoje os deputados e senadores das décimas Cortes da democracia espanhola, num voto em que as sondagens antecipam uma vitória clara dos conservadores do Partido Popular (PP). Se, como prevêem as sondagens, a vitória do PP for ampla, os resultados podem saber-se relativamente rápido, depois do encerramento das urnas, às 20h00. Caberá a Rajoy ou a Rubalcaba decidir o formato do próximo Governo, com o previsível arranque da legislatura em meados de Dezembro.
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