Ratificação deste acordo comercial foi suspensa pelo Parlamento Europeu em resposta às ameaças de Trump.
O embaixador dos Estados Unidos junto da União Europeia (UE) pediu esta quarta-feira ao Parlamento Europeu para aprovar o acordo comercial entre os dois blocos, considerando que daria um "enorme impulso" às relações transatlânticas e deixaria "muitas preocupações para trás".
"Acho que dará um enorme, enorme impulso à relação transatlântica se conseguirmos ratificar o acordo comercial e obter esse mandato do Parlamento Europeu. Uma vez concluído o processo, acho que faremos progressos reais e deixará muitas preocupações para trás", afirmou Andrew Puzder numa audição no Parlamento Europeu.
O embaixador referia-se ao acordo comercial assinado em agosto passado em Turnberry, na Escócia, pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A ratificação deste acordo comercial foi suspensa na semana passada pelo Parlamento Europeu, em reação à ameaça de Donald Trump de impor tarifas aos países europeus que se opunham à sua intenção de anexar a Gronelândia.
A ameaça de Donald Trump foi entretanto retirada, mas o Parlamento Europeu ainda não decidiu retomar o processo de aprovação.
Na audição na Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, Andrew Puzder referiu que, desde que tomou posse, em agosto, a sua "primeira prioridade" tem sido procurar concluir esse acordo comercial, afirmando que os Estados Unidos "cumpriram o que tinham prometido" aquando da assinatura e agora estão à espera que "a Europa finalize o processo e também cumpra os seus compromissos".
Vários eurodeputados dirigiram-se ao embaixador para lhe perguntar se garante que, caso o Parlamento Europeu ratifique o acordo comercial, o Governo norte-americano vai assumir uma "postura estável e previsível" e não "ameaçar com tarifas consoante o humor" de Donald Trump, conforme disse a belga Hilde Vautmans.
Na resposta, o representante diplomático reiterou que os Estados Unidos já "estão a cumprir com os compromissos comerciais que assumiram" com a UE.
"Fizemos tudo o que dissemos que iríamos fazer no âmbito do acordo, e fizemo-lo no espaço de um mês. Já a Europa o que é que fez desde a assinatura? Na realidade, nada", criticou, salientando que percebe que há um processo de ratificação diferente na União Europeia, mas reiterando que Washington "fez tudo o que tinha a fazer" quanto ao acordo comercial, "apesar da retórica que tem havido nos últimos meses".
Além do comércio, o embaixador defendeu também que os Estados Unidos e a UE deveriam "fechar um acordo sobre as terras raras", argumentando que isso mostraria que "há uma verdadeira unidade" entre os dois aliados.
Nesta audição, vários eurodeputados salientaram que Donald Trump, com as ameaças sobre a Gronelândia e os comentários sobre o esforço dos aliados europeus na guerra do Afeganistão, "destruiu a imagem" dos Estados Unidos na Europa, perguntando ao embaixador o que é que tenciona fazer para restabelecer a confiança.
Andrew Puzder disse que "as relações entre os Estados Unidos e a Europa são extremamente fortes" e referiu que muitos americanos se consideram do continente por serem descendentes de europeus.
"E o nosso país foi estabelecido com base em princípios europeus, muitas das ideias vieram de pensadores e estudiosos europeus. Isso é algo que respeitamos e de que temos consciência. Acho que fecharmos estes acordos seria importante", concluiu.
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