Comunidades locais queixam-se das consequências do aumento da poluição devido às operações da Vulcan.
O presidente da Vulcan, grupo indiano que explora carvão em Moçambique, manifestou esta quinta-feira à Lusa o "compromisso" da companhia com a "conformidade ambiental", dias após queixas das comunidades face ao aumento da poluição.
"Temos uma política de dano zero. E quando dizemos dano zero, estamos a falar de dano zero ao meio ambiente (...). Todas as nossas instalações foram equipadas com equipamentos e tecnologias modernas disponíveis. Por vezes, algum sistema falha e, para isso, temos de tomar precauções. Se há algum erro, posso afirmar, que estamos totalmente comprometidos em garantir que nenhuma pessoa da nossa comunidade sofra", declarou, reagindo à Lusa, Mukesh Kumar.
Em causa estão reclamações de residentes de oito bairros de Moatize, na província moçambicana de Tete, no centro do país, onde a empresa explora carvão. As comunidades locais queixam-se das consequências do aumento da poluição devido às operações da Vulcan.
"As vossas práticas de extração e exploração mineira não se coadunam com qualquer que seja a vivência humana defendida e protegida no seio da declaração universal dos direitos humanos", lê-se numa carta dos residentes entregue à empresa e a que a Lusa teve, no domingo, acesso.
A Vulcan explora em Moatize uma área de 250 quilómetros quadrados e a comunidade mais próxima das minas está localizada a, pelo menos, 350 metros, avançou o Presidente da companhia.
"Sempre que uma detonação é feita, garantimos que, quando a detonação é projetada, a vibração, o ruído e a nuvem não ultrapassem 75 metros da área. Se essas coisas forem limitadas dentro dos 75 metros, então, não acho que haja risco ou qualquer coisa para a sociedade, que estão a uma distância entre 350 metros e 500 metros dessas áreas", acrescentou Mukesh Kumar.
O presidente da Vulcan avança que uma equipa governamental visitou a área de exploração nesta semana após as queixas, estando a companhia à espera de uma posição oficial.
"Eu sempre digo que uma empresa pode até ter, por parte do Governo, licença para explorar uma área, entretanto o mais importante é obter licença social para operar, que pode ser dada apenas pelas comunidades (...). Nós estamos abertos para corrigir nossos erros, se tivermos cometido algum erro", concluiu o presidente da Vulcan.
Só nos últimos três anos, a Vulcan produziu anualmente mais de 35 milhões toneladas de carvão nas suas minas em Moatize, no centro de Moçambique, uma operação comprada, em abril de 2022, à brasileira Vale por mais de 270 milhões de dólares (257 milhões de euros).
A empresa privada indiana faz parte do Jindal Group, com um valor de mercado de 18 mil milhões de dólares (16,5 mil milhões de euros), e antes já estava presente em Moçambique, operando a mina Chirodzi, localizada também na região de Tete.
A Vale esteve presente em Moçambique por 15 anos, tendo explorado a mina de Moatize e 912 quilómetros de ferrovia no Corredor Logístico de Nacala para o transporte de carvão, infraestrutura também vendida à Vulcan.
Em maio, o presidente da Vulcan avançou à Lusa que espera atingir entre 50 e 52 milhões de toneladas neste ano e estar entre os maiores produtores mundiais.
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