Gerhard Huemer, diretor de política económica da SMEUnited, aponta para uma "Falta mão-de-obra qualificada em toda a Europa".
As empresas europeias enfrentam uma crescente falta de trabalhadores qualificados, numa altura em que na Europa o nível de emprego bate recordes de mais de uma década e 3% de todos os empregos criados ficam vagos.
"Falta mão-de-obra qualificada em toda a Europa", disse Gerhard Huemer, diretor de política económica da SMEUnited, associação que reúne PME de mais de 30 países europeus, citado pela EURACTIV, rede de jornalismo colaborativo em que a agência Lusa participa, no âmbito de um trabalho sobre a falta de mão de obra na Europa.
As empresas admitem a crescente incapacidade para encontrar trabalhadores e reagem oferecendo melhores condições de trabalho enquanto alguns Estados-membros, incluindo Portugal, apostam na flexibilização dos requisitos para trabalhadores de países terceiros.
Dados do Eurostat, citados pelo EURACTIV, apontam que cerca de 193 milhões de europeus estavam a procurar um emprego remunerado no primeiro trimestre de 2022, enquanto cerca de 74,5% das pessoas com idades compreendidas entre os 20 e os 64 anos tinham algum tipo de emprego formal, a taxa de emprego mais elevada desde que o Eurostat começou a publicar estes dados, em 2009.
Ao mesmo tempo, mais de 3% de todos os empregos disponíveis estão vagos, o valor mais elevado desde que os registos estatísticos destes dados começaram em 2006, o que, de acordo com o EURACTIV, significa que cerca de seis milhões de postos de trabalho estão a ser criados em toda a UE.
Em contrapartida, a taxa de desemprego da UE caiu para 6,0% em julho, outro número recorde desde pelo menos 2001.
Em França, cerca de metade das empresas inquiridas pela CPME, a maior associação patronal francesa, estavam a tentar contratar. Destas, 94% dizem ter dificuldades para encontrar um candidato certo à vaga de emprego ou mesmo qualquer candidato, enquanto cerca de 87% das empresas familiares alemãs inquiridas pelo Instituto Ifo, com sede em Munique, afirmaram sentir os efeitos da falta de trabalhadores.
"Com mais de 250.000 vagas, temos um recorde histórico e são urgentemente necessários trabalhadores em todo o lado", disse, por seu lado, Julia Moreno-Hasenöhrl, da Câmara Económica austríaca.
O mesmo cenário na Finlândia, onde, segundo Heikki Räisänen, diretor de investigação do Ministério dos Assuntos Económicos e Emprego, "todos os setores sofrem de uma elevada incidência de problemas de recrutamento e falta de mão-de-obra, especialmente os serviços sociais e de saúde, da restauração e do alojamento",
Em Espanha, onde a taxa de desemprego ainda é bastante elevada, com 12,6%, as empresas relatam dificuldades para encontrar trabalhadores, especialmente na restauração, turismo e construção.
"A maioria dos europeus de Leste regressaram a casa durante a pandemia e optaram por não voltar agora à Europa Ocidental", apontou Gerhard Huemer, do SMEUnited, evocando as perturbações provocadas pela pandemia de covid-19 nas migrações intraeuropeias como uma das razões para o atual cenário.
Na Polónia, a taxa de desemprego está no seu nível mais baixo em 32 anos e mais de metade das empresas estão preocupadas com a falta de mão-de-obra.
As empresas polacas sentem mais intensamente a falta de mão-de-obra na indústria da construção. Esta indústria teve de enfrentar um tipo muito diferente de êxodo de trabalhadores migrantes quando muitos trabalhadores ucranianos da construção civil residentes na Polónia partiram para defender o seu país contra a invasão russa.
Entretanto, países da Europa de Leste como a Roménia, Bulgária e Albânia, estão a sentir dificuldades para recrutar pessoal para as suas indústrias, uma vez que muitos trabalhadores qualificados deixaram os países para empregos mais promissores no estrangeiro.
Apesar das ofertas de emprego, a subida acentuada dos preços significa que a maioria dos trabalhadores ganha atualmente menos em termos reais do que ganhava antes.
Uma análise publicada pela Confederação Europeia de Sindicatos (CES) concluiu que os salários mínimos diminuíram em termos reais em todos os estados membros da UE que os têm, embora alguns Estados-membros os tenham aumentado nominalmente de forma bastante considerável.
Para fazer face à falta de mão-de-obra, associações de empresas em alguns países apelam a uma reforma dos sistemas de segurança social para tornar menos atrativa a permanência das pessoas fora do mercado de trabalho e alguns estados-membros equacionam permitir mais imigração, acrescenta o EURACTIV, citando o exemplo português de facilitação de vistos para cidadãos dos países de língua portuguesa.
O Governo espanhol aprovou uma lei para facilitar a contratação de trabalhadores de países terceiros, na Alemanha espera-se que o executivo proponha uma nova lei de imigração no final deste ano e na Áustria regras mais flexíveis para o acesso a vistos entrarão em vigor em outubro.
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