Em alguns casos os profissionais não recebem ordenado há quatro meses.
Milhares de enfermeiros e técnicos de enfermagem terceirizados que trabalham em hospitais do estado brasileiro do Rio de Janeiro entraram em greve esta quinta-feira, reclamando o pagamento de ordenados atrasados. De acordo com os sindicatos que representam as duas categorias, em alguns casos os profissionais não recebem ordenado há quatro meses.
Mónica Armada, representante sindical dos enfermeiros, afirmou que, para não prejudicar ainda mais o atendimento aos doentes, principalmente neste momento de pandemia de Coronavírus, a paralisação não é total. Ela afirmou que 50% dos enfermeiros terceirizados continuam a trabalhar normalmente, enquanto os outros 50% estão paralisados, e que os dois grupos vão revezar-se, trabalhando ora um ora o outro.
Os profissionais terceirizados da saúde não são funcionários públicos de carreira e são contratados por organizações sociais que venceram concursos para gerir hospitais e outras unidades de saúde, ou foram escolhidas de outra forma para isso. Várias dessas entidades, que recebem verbas milionárias do estado do Rio de Janeiro, estão a ser acusadas de irregularidades, já foram alvo de operações policiais e algumas têm mesmo os seus principais responsáveis presos.
Por causa disso, os pagamentos aos funcionários foram paralisados e, ao mesmo tempo o governo estadual foi proibido pela justiça de avançar mais verbas às entidades sob suspeita. Esta quinta-feira, após a deflagração da greve, a Secretaria Estadual da Saúde do Rio de Janeiro, acusada pelas entidades sindicais de omissão e intransigência, prometeu fazer o possível para pagar a parte dos profissionais da área com ordenados em atraso, mas para os restantes ainda não há previsão pois será necessário negociar caso a caso com essas organizações sociais e até pedir autorização à justiça para depositar os valores diretamente nas contas pessoais dos enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Entre as unidades de saúde afetadas pela paralisação estão o Hospital da Mulher, Hospital Carlos Chagas, Hospital da Mãe, Hospital Anchieta e Unidade de Pronto Atendimento de São Pedro da Aldeia. Outros profissionais com salários em atraso são os que trabalhavam nos hospitais de campanha para atendimento da Covid-19, Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, e São Gonçalo, na área metropolitana, fechados às pressas sábado passado pelo governo fluminense e cuja entidade gestora teve os seus responsáveis presos em uma nova ação da polícia e do Ministério Público desencadeada esta quinta.
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