Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim foram confirmados 49 novos casos, mas a texa de mortalidade está a descer.
Moçambique registou praticamente 8.000 casos de cólera na atual epidemia, em sete meses, com 83 mortos, mas apenas um óbito em quase três semanas, indicam os últimos dados oficiais.
A Direção Nacional de Saúde Pública refere, no mais recente boletim sobre a evolução da doença, com dados de 03 de setembro a 23 de março, um acumulado de 7.991 casos neste período, 3.540 dos quais registados na província de Nampula, com um total de 39 mortos, e 2.766 em Tete, com 32 óbitos, além de 1.047 em Cabo Delgado, onde foram registados oito mortos.
O relatório indica ainda o registo de 129 casos e um morto na província da Zambézia, 130 casos e dois mortos em Manica, 376 casos e um morto em Sofala, um caso na cidade de Maputo e outro na província de Gaza.
Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim (23 de março) foram confirmados 49 novos casos, com a taxa de letalidade geral em Moçambique a descer para 1% e 52 pessoas internadas, não havendo registo de óbitos há praticamente três semanas.
Entre o final de fevereiro e o início de março, as autoridades de saúde moçambicanas chegaram a registar diariamente mais de 100 novos infetados, com surtos ativos em cerca de 25 distritos do país.
No surto anterior, entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025, foram registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já supera o número de doentes e de óbitos em menos tempo.
As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença já então presente em 22 distritos, avançando com uma campanha de vacinação de 3,5 milhões de pessoas.
"O país tem uma epidemia, claramente, porque temos vários surtos em vários locais. A definição de epidemia é quando temos vários surtos juntos, então sim, temos", disse na altura o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, numa conferência de imprensa em Maputo.
O Governo de Moçambique pretende eliminar a cólera enquanto problema de saúde pública até 2030, segundo um plano aprovado em 16 de setembro pelo Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso a água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas", declarou então o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.
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