Testemunhas relatam que Epstein usou admissão em universidades como pretexto para mulheres para uma rede de abuso sexual.
Os crimes cometidos por Jeffrey Epstein continuam a revelar uma teia complexa de abuso sexual, poder e manipulação, agora com um novo elemento: a promessa de acesso ao ensino superior como forma de aliciar, controlar e silenciar jovens mulheres. Vários testemunhos de sobreviventes mostram como a educação foi transformada por Epstein num instrumento de dominação.
Entre os relatos mais marcantes está o de Rina Oh, artista de Nova Iorque, que conheceu Epstein no ano 2000, quando tinha 21 anos e estudava Artes. Segundo o seu testemunho ao The Guardian, Epstein apresentou-se como um "filantropo , conhecido por muitas pessoas, um homem muito generoso" com fortes ligações a universidades de prestígio, prometendo-lhe uma bolsa de estudo “sem quaisquer condições” para concluir a sua formação artística.
A realidade, porém, revelou-se bem diferente: a ajuda vinha acompanhada de exigências, pressões e abusos, e foi retirada quando Rina Oh se recusou a satisfazer todas as vontades de Epstein, ainda de acordo com o jornal The Guardian.
Outras testemunhas afirmam que Epstein prometia facilitar admissões em faculdades como a Universidade de Nova Iorque (NYU) ou a Universidade de Columbia, chegando em alguns casos a pagar propinas ou a organizar bolsas de estudo. Ao fazê-lo, criava uma relação de dependência financeira e psicológica, fazendo com que as vítimas se sentissem em dívida e menos propensas a denunciar os abusos às autoridades.
O congressista democrata Jamie Raskin, membro do comité judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA, sublinhou que estas práticas não eram acidentais. Segundo Raskin, Epstein utilizava deliberadamente a promessa de educação para atrair jovens mulheres para a sua rede de exploração sexual e garantir o seu silêncio.
As ligações financeiras e administrativas que permitiram estes esquemas estão agora sob investigação, com universidades como a NYU e a Columbia a serem questionadas sobre admissões, propinas e eventuais intermediários envolvidos.
De acordo com várias sobreviventes, existia uma clara intenção de Epstein em “infiltrar-se” no meio académico, ao criar relações com professores, dirigentes universitários e instituições de prestígio. As suas ligações a universidades como Harvard e ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) tornaram-se públicas após a sua morte, em 2019, levando a demissões e a um intenso debate sobre ética, financiamento académico e responsabilidade institucional.
Nada do que Epstein oferecia era verdadeiramente gratuito. As bolsas, propinas e promessas de carreira funcionavam como uma forma sofisticada de controlo, mascarada de generosidade. Ao retirar subitamente esse apoio, Epstein reforçava o medo, a dependência e o isolamento das vítimas.
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