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Escola de ioga utilizada para culto sexual leva mulheres para a prostituição na Argentina

Buenos Aires Yoga School é acusada de coagir algumas das integrantes a prostituírem-se e de lavar os lucros em bens imobiliários.

08 de junho de 2024 às 20:36

Sob um negócio de fachada de uma escola de ioga, as autoridades argentinas descobriram aquilo que seria um culto sexual que empurrou várias mulheres para a prostituição. A Buenos Aires Yoga School tinha a promessa de levar os seguidores à salvação espiritual. Agora, é acusada de coagir algumas das integrantes a prostituírem-se e de lavar os lucros em bens imobiliários, avança o New York Times. 

Juan Percowicz, o fundador, era um contabilista com um passatempo paralelo invulgar. Dava aulas de autoajuda com uma forte dose de filosofia antiga e espiritualismo. Dado o sucesso das suas sessões, criou a organização Buenos Aires Yoga School e por mais de três décadas dirigiu a escola, onde dava palestras e aulas de autoajuda. 

Aos 85 anos Juan Percowicz e mais de uma dezena de membros da organização estão a enfrentar acusações criminais por serem suspeitos de dirigir um "culto sexual" e não uma escola de ioga. De acordo com a acusação, a organização explorava e drogava algumas das integrantes, forçando-as a vender o corpo e gerando assim centenas de milhares de dólares mensais. Os clientes eram maioritariamente argentinos e norte-americanos e algumas das vítimas eram ainda menores quando entraram na organização. 

Apesar de nenhum membro da organização ter afirmado que foi forçado a prostituir-se, vários relataram um controlo excessivo por parte do líder, que se descrevia como uma 'espécie de Deus'. 

Percowicz foi detido em 2022 e durante as diligências foram encontrados mais de um milhão de dólares, cinco barras de ouro, filmes pornográficos, livros de cheques bancários americanos e dossiês sobre indivíduos ricos.

As notícias relativas aos crimes chocaram o país sul-americano, mas algumas famílias pareciam já ter conhecimento de algumas situações suspeitas na organização. Na década de 90, Percowicz e a sua escola ganharam destaque na comunicação social depois de uma família argentina ter acusado a organização de fazer uma lavagem cerebral à filha. Durante a investigação, alguns ex-integrantes revelaram terem sido forçados a trabalhar como "escravos".

Segundo os investigadores, na época a Argentina ainda não tinha leis sobre o tráfico de pessoas ou lavagem de dinheiro sólidas, porque o sistema judicial estava a ser reformulado após o fim da ditadura militar.  Devido a esse constrangimento, o caso foi arquivado. 

Atualmente, com leis atualizadas, os procuradores estão novamente a visar Percowicz numa nova investigação que examina as operações da escola que remontam a 2004.

Até ao momento, todos os visados na investigação negam qualquer envolvimento nos crimes.

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