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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Espanhol que denunciou abusos pede ao Vaticano que aplique "tolerância zero"

Miguel Hurtado pede que sejam implementadas medidas concretas para acabar com a "pandemia".

18 de fevereiro de 2019 às 19:39

O espanhol Miguel Hurtado, que denunciou alegados abusos de um monge do Mosteiro de Montserrat em Barcelona, pediu esta segunda-feira ao Vaticano para ter "tolerância zero" com a pedofilia e implementar medidas concretas para acabar com a "pandemia"

"O importante neste encontro é que o Vaticano esclareça o que significa 'tolerância zero', conceito que o papa Francisco repete repetidamente", disse o espanhol em declarações aos jornalistas, poucos dias antes do Vaticano celebrar uma cimeira sem precedentes sobre o abuso sexual de menores na Igreja, que reunirá de 21 a 24 de fevereiro representantes das conferências episcopais de todo o mundo, grupos de vítimas e superiores gerais das congregações.

Hurtado será uma das 12 vítimas que se reunirá na quarta-feira com a comissão organizadora da reunião sobre os abusos, que esta segunda-feira apresentou o programa à imprensa.

"Na maioria dos países avançados, 'tolerância zero' significa que se um padre abusou de uma criança deixa o sacerdócio, mas isso só se aplica na Irlanda e nos Estados Unidos porque em Espanha há padres condenados pela justiça que continuam a fazer parte da Igreja", lamentou Hurtado.

Na sua opinião, os bispos espanhóis "trabalham para que o 'iceberg' da pedofilia clerical não apareça" e, portanto, pediu "transparência, com números e nomes".

"A Igreja espanhola sabe perfeitamente quem são os padres pedófilos, mas não dão os nomes, onde se encontram, de quantas crianças abusaram e que crimes cometeram", reclamou.

Portanto, Miguel Hurtado pede "medidas concretas" para acabar com a "pandemia global" que é a pedofilia na Igreja.

"Nós não queremos reuniões genéricas onde dizem que estão arrependidos. Queremos que todos os casos de abuso de crianças sejam relatados à polícia, que a hierarquia católica entregue arquivos canónicos internos às autoridades civis, e que todos aqueles que tenham ocultado abusos, tal como abade de Montserrat, renunciem imediatamente ou sejam demitidos", exigiu o espanhol.

Além disso Miguel Hurtado defende que a Igreja deve pagar uma compensação às vítimas para que elas possam ter terapia.

Embora tenha descrito a cimeira como "positiva", considera que "se o papa Francisco quisesse acabar com o problema esta teria de ser de três semanas.

"Eles têm duas opções: agir proativamente antes que outros escândalos surjam, tomar ações decisivas ou esperar o escândalo explodir nos seus rostos", disse, acrescentando que "os bispos não têm muita coragem".

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