Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
7

“Espero que não quebrem o silêncio”

No dia em que 31 dos 33 mineiros resgatados no Chile regressaram a casa, um deles, Juan Carlos Aguilar, confirmou em entrevista a existência de um pacto de silêncio quanto aos primeiros 17 dias do drama, durante os quais estiveram incomunicáveis, e fez um voto: "Espero que os meus companheiros saibam cumprir o pacto."
17 de Outubro de 2010 às 00:30
José Henríquez, o guia espiritual dos mineiros, foi ontem o primeiro dos 33 a regressar à mina
José Henríquez, o guia espiritual dos mineiros, foi ontem o primeiro dos 33 a regressar à mina FOTO: Ian Salas/EPA

Aguilar, o 29º a ser resgatado, tem ideias claras quanto a esse assunto e, questionado pelo jornal espanhol ‘El País’, foi taxativo: "Estou muito grato a toda a imprensa, mas não vou falar da minha vida privada [diz-se que prometeu casamento à companheira de há mais de dez anos], nem desse pacto lindo e muito claro que fizemos na mina, de não contar nada do que ali se passou desde 5 de Agosto".

No entanto, nem todos têm a mesma concepção do que deve ser dito ou calado. Yonnis Barrios, conhecido como ‘O Doutor’, por ter noções de socorrismo, negou a versão oficial de que Luis Urzúa, o chefe de turno, foi o líder e organizador da sobrevivência dos mineiros nesses dias dramáticos. "Quem nos guiou desde o início foi Mario Sepúlveda. Foi ele quem fez tudo por nós, quem organizou a equipa. Dava-nos alento, para acreditarmos que íamos sair dali", assegurou, explicando que as decisões eram tomadas em democracia.

Curiosamente, Sepúlveda é um dos dois mineiros que permanecem hospitalizados. O outro é Víctor Zamora. Sepúlveda está, segundo fontes hospitalares, a ser observado e avaliado por uma equipa de saúde mental.

Outra incógnita que paira sobre a quebra do pacto de silêncio diz respeito ao livro escrito durante os 70 dias de clausura por Víctor Segovia.

"Escrever o livro foi o que me salvou a vida", confidenciou. Escrito em três cadernos de actas, foi entregue à guarda de Pedro, irmão mais novo de Víctor, mas nem mesmo ele está autorizado a lê-lo. O primeiro caderno está acessível, mas os dois outros foram selados com fita adesiva e guardados em local reservado. Pedro confirma as múltiplas ofertas para publicação da obra. Na maioria, chegam do estrangeiro, e uma delas, de uma editora alemã, orça os 75 mil dólares.

Entretanto, a Jamaica ofereceu um pacote de férias gratuitas a todos os 33 mineiros resgatados e respectivas famílias.

EQUATORIA NOS SOTERRADOS

Os acidentes em minas sucedem-se. Centenas de socorristas iniciaram ontem escavações numa mina no Sul do Equador, onde julgam estarem soterrados, a 150 metros de profundidade, pelo menos quatro mineiros.

"A operação de resgate deverá demorar mais 24 horas", garantiu ontem o presidente equatoriano, Rafael Correa, explicando que os socorristas irão introduzir no túnel que estão a cavar uma pequena câmara de vídeo e só depois se poderá saber se os mineiros sobreviveram à derrocada.

Outro grave acidente numa mina de carvão, no centro da China, matou 20 trabalhadores e soterrou trinta. De acordo com a televisão estatal de Pequim, a derrocada terá sido provocada por uma violenta explosão no interior da mina, localizada junto à cidade de Yuzhou, na província de Henan. Mais de 2600 pessoas morreram no ano passado em minas chinesas, consideradas as mais perigosas do Mundo.

Ver comentários