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Estados Unidos impõem tarifas de 50% a produtos canadianos após colapso de negociações

Tarifas estavam inicialmente previstas para entrar em vigor a 19 de agosto, mas o presidente norte-americano, Donald Trump, concedeu um prazo adicional de três dias para permitir a continuação das negociações.

22 de agosto de 2026 às 07:09

Os Estados Unidos impuseram este sábado tarifas de 50% sobre produtos canadianos avaliados em 20 mil milhões de dólares (18,5 mil milhões de euros), após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, responsabilizou o Canadá pelo colapso das conversações, afirmando que o país se recusou a concluir o acordo nos termos que, segundo Washington, tinham sido acordados no início da semana.

"O Canadá recusou finalizar o acordo comercial nos termos acordados", declarou Greer, acrescentando que novas exigências de Ottawa e incumprimentos de compromissos anteriores "perturbaram o equilíbrio cuidadosamente estabelecido".

As tarifas estavam inicialmente previstas para entrar em vigor a 19 de agosto, mas o presidente norte-americano, Donald Trump, concedeu um prazo adicional de três dias para permitir a continuação das negociações.

Poucas horas antes do quebrar das negociações, Trump mostrara otimismo quanto à possibilidade de um entendimento ser alcançado.

Após a imposição das tarifas, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou que o seu país tinha conseguido avanços importantes, mas que as alterações de última hora propostas pelos EUA tornavam impossível fechar um acordo aceitável.

Carney garantiu que o Canadá vai retaliar de imediato, aplicando tarifas equivalentes "dólar por dólar" para proteger trabalhadores e empresas, sublinhando que "a América mudou" e que os dois países "não voltarão à sua antiga relação".

As tarifas norte-americanas incidem sobre cerca de 5% das exportações anuais canadianas para os EUA, abrangendo produtos como tacos de hóquei, materiais de construção, bebidas alcoólicas e determinados tipos de vestuário.

Segundo fontes não identificadas da administração Trump, citadas pela Associated Press, Ottawa procurava concessões sobre tarifas já existentes em aço, alumínio, automóveis e madeira, que Washington não estava disposto a conceder. Carney acusou os EUA de apresentar "condições injustas e não económicas" e ordenou o regresso da equipa negociadora a Ottawa.

O colapso das conversações marca uma inversão abrupta face ao otimismo manifestado dias antes e lança dúvidas sobre o futuro do pacto comercial norte-americano que envolve EUA, Canadá e México. Enquanto Washington iniciou conversações formais com o México para rever o USMCA, as negociações com o Canadá permanecem suspensas.

A crise comercial agrava uma relação historicamente amigável entre os dois estados vizinhos. O comércio bilateral ascendeu a 880 mil milhões de dólares (815 mil milhões de euros) em 2025, e cerca de 72% das exportações canadianas têm como destino os EUA.

Os Estados Unidos e Canadá têm disputado questões comerciais há décadas, com divergências recorrentes sobre importações de madeira canadiana e o acesso norte-americano ao mercado protegido de lacticínios do Canadá.

Apesar dessas tensões, os dois países mantiveram uma relação de amizade, aliança e parceria comercial, com a fronteira de 8.890 quilómetros entre os dois países a permanecer sem defesa militar, e a ser diariamente atravessada por cerca de 330.000 pessoas e bens avaliados em 2 mil milhões de dólares (1,85 mil milhões de euros).

Apesar da proximidade histórica -- incluindo cooperação militar e fronteira aberta -- a Administração Trump tem adotado uma postura mais agressiva, impondo tarifas e fazendo declarações provocatórias sobre transformar o Canadá no "51.º estado" norte-americano.

A tensão já provocou forte reação pública no Canadá, com uma petição para expulsar o embaixador norte-americano a recolher mais de 248.000 assinaturas.

Candace Laing, presidente da Câmara de Comércio do Canadá, classificou as tarifas como "um golpe duro para a competitividade norte-americana", e avisou que irão aumentar custos para consumidores nos EUA e ameaçar investimento e pequenas empresas no Canadá.

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