Depoimento foi dado em troca de uma redução da pena a que também foi condenado.
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O ex-ministro de Lula da Silva e fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), António Palocci, afirmou em depoimento colaborativo com a justiça que diversas vezes levou pessoalmente "luvas" em dinheiro vivo ao antigo governante quando este ainda era presidente do Brasil.
A informação foi avançada esta sexta-feira pelo jornal O Globo, que diz ter tido acesso a parte do depoimento dado à Polícia Federal por Palocci, preso por corrupção desde setembro de 2016.
Segundo o jornal do Rio de Janeiro, no seu depoimento, dado em troca de redução da pena de 12 anos a que já foi condenado, Palocci garantiu que várias vezes levou montantes significativos em espécie para o ex-presidente, para este fazer face a despesas pessoais. Em alguns casos, o montante das entregas de "luvas" chegava a 12,5 mil euros, e era passado para as mãos de Lula em locais previamente combinados com Palocci.
Além dos montantes levados pessoalmente por ele, Palocci afirmou que fez outras entregas de dinheiro ilícito ao antigo chefe de Estado através de um dos seus assessores de maior confiança, Branislav Kontic. Parte dessas entregas de dinheiro sujo ocorreu, ainda de acordo com as informações do ex-ministro citadas pelo jornal, ao longo de 2010, último ano de Lula da Silva na presidência.
António Palocci, que além de ministro das Finanças no governo de Lula foi anos mais tarde ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, está preso em Curitiba, onde fica a sede da operação anti-corrupção Lava Jato, comandada pelo juiz Sérgio Moro. Com a delação, que ainda precisa de ser validada pelo magistrado, Palocci tenta reduzir a pena a que já foi condenado e evitar outras em processos que ainda estão nas mãos do temido juiz.
No acordo com a Polícia Federal (PF), Palocci comprometeu-se a entregar as provas das acusações, sem as quais não receberá os benefícios desejados. Ele adiantou ter documentos e poder indiciar locais, datas e horários dos encontros secretos com Lula para a entrega das "luvas". Desta forma a PF poderá confirmar essas informações através da localização de telemóveis nas datas citadas e de eventuais testemunhas, como os motoristas dos automóveis utilizados por ambos.
Até à divulgação de que ele tinha passado a colaborar com a justiça, António Palocci era um símbolo de capacidade de gestão e de coragem dentro do PT, onde era um verdadeiro ídolo reverenciado publicamente até por Lula. Ontem, em comunicado, o Partido dos Trabalhadores negou as acusações feitas a Lula, e atribuiu-as ao desespero de Palocci em ter a pena reduzida e deixar a prisão, como aconteceu a outros condenados da Lava Jato que fizeram acordos semelhantes.
Curiosamente, Palocci e Lula estão presos no mesmo edifício, a sede da superintendência da Polícia Federal em Curitiba, capital do estado do Paraná, no sul do Brasil. Mas Palocci está na ala das celas, no segundo andar do estabelecimento, juntamente com outros presidiários detidos por corrupção. Já Lula, também condenado por Moro a 12 anos e preso desde o passado dia 7, está numa sala especial no quarto andar do prédio, isolado dos demais por motivos de segurança.
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