Stefan Löfven considera vitória de António José Seguro uma lição para a Europa.
O antigo primeiro-ministro da Suécia e líder do Partido Socialista Europeu, Stefan Löfven, alertou este sábado para a importância de proteger o SNS dos interesses privados e considerou a vitória de António José Seguro uma lição para a Europa.
Num discurso no período de abertura do segundo dia de trabalhos do 25.º Congresso Nacional do PS, Stefan Löfven começou por salientar a vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais, afirmando que foi um resultado "demonstrador da força das instituições e da confiança que os cidadãos depositam num liderança responsável".
"Envia também outra mensagem: Numa altura em que as forças extremistas tentam dividir as nossas sociedades e enfraquecer os valores democráticos, o povo português demonstrou que a democracia ainda prevalece. Demonstrou que o medo e a divisão não são as respostas. E isto, meus amigos, é uma lição poderosa para toda a Europa", acrescentou.
Löfven considerou também que o PS, sob a "renovada liderança de José Luís Carneiro", mantém-se como uma "força política muito forte, empenhada na melhoria da vida das pessoas, no reforço da democracia e na defesa da justiça social".
Depois de enfatizar que "o movimento socilaista sempre teve como objetivo a melhoria da vida das pessoas", o sueco definiu quais devem ser três prioridades atualmente: a habitação acessível, o custo de vida e a "garantia de um sistema de saúde eficiente e universal".
"São estas as questões para as quais a política progressista deve dirigir os seus esforços, meus amigos, porque a habitação não é um luxo, não é um activo especulativo, é uma necessidade humana fundamental", frisou.
Sobre habitação, Löfven argumentou que se trata de uma "política social, económica e climática" e que "todos merecem um lar seguro, um ambiente estável e condições de vida digna".
O antigo líder do Governo da Suécia defendeu que "os jovens de toda a Europa precisam de poder vivenciar a sensação" de ter uma casa própria e lamentou que "em muitas parte da Europa o acesso à habitação esteja a tornar-se mais difícil" por que a "oferta não acompanhou a procura".
Em relação ao custo de vida, Löfven afirmou que um "partido que trabalha para o povo é um partido que se posiciona firmemente ao lado dos trabalhadores" e que essa defesa dos direitos laborais passa pelo reforço dos salários e da proteção social e pelo confronto das "causas profundas do aumento do custo de vida".
Stefan Löfven alertou também para a importância de preservar a saúde como um direito universal, referindo que "na Suécia partes dos sistema de saúde foram privatizadas por Governos e partidos conservadores" e isso resultou no seu enfraquecimento.
"Quando estes sistemas se tornam profundamente comercializados, torna-se muito difícil reconstruir o modelo público. E é por isso que gostaria de dizer algo muito claramente aos nossos amigos portugueses hoje aqui presentes: protejam o vosso Sistema Nacional de Saúde. Porque, uma vez enfraquecidos, os sistemas públicos de saúde robustos tornam-se extremamente difíceis de reconstruir", avisou.
Antes, interveio o presidente da Federação Distrital de Viseu do PS, Armando Mourisco, que afirmou que a vitória dos socialistas no município nas últimas autárquicas foi o "derrube de um muro" e a "prova de que os viseenses confiam no PS para liderar o seu destino".
Armando Mourisco considerou que os socialistas se reúnem neste Congresso por acreditarem que "Portugal pode e deve ser um país mais justo, mais solidário e mais ambicioso" e disse a José Luís Carneiro que recebe agora "o testemunho de um partido que está pronto para as batalhas que aí vêm".
Entre estas batalhas, o socialista referiu o que disse ser uma "direita incapaz de resolver os problemas do país", um "Governo e uma coligação que o apoia cada vez mais radicalizada e parecida com os seus amigos da extrema-direita".
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