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Ex-tesoureiro do PP entala Mariano Rajoy

Luis Bárcenas enviou ao Ministério Público depoimento escrito em que acusa o antigo primeiro-ministro de estar a par do saco azul do PP.

04 de fevereiro de 2021 às 08:19

O antigo tesoureiro do Partido Popular (PP) espanhol remeteu à Justiça espanhola uma declaração escrita na qual acusa diretamente o antigo PM espanhol Mariano Rajoy de receber pagamentos ilícitos. Luis Bárcenas faz a acusação entre várias revelações sobre o funcionamento do saco azul do partido, a chamada ‘contabilidade B’, que, assegura, funcionou de 1982 a 2009.

A declaração de Bárcenas foi enviada a seis dias do início do julgamento do caso do saco azul, no qual é o principal acusado, para provar a vontade de colaborar com a acusação. Bárcenas, recorde-se, está preso há mais de quatro anos, cumprindo 29 anos de cadeia pelo caso Gürtel, que em 2018 precipitou a queda do governo de Rajoy, após moção de censura dos socialistas.

Como já antes dissera, o antigo tesoureiro do PP assegura que “Rajoy tinha pleno conhecimento” de todo o esquema de financiamento ilegal do partido, resultado, em boa parte, de donativos de empresas, oferecidos em troca de avultados contratos de obras públicas.

“Em 2009 mostrei-lhe os papéis desta ‘contabilidade B’”, escreve o ex-tesoureiro, detalhando uma reunião com Rajoy: “Ele perguntou-me como podia eu conservar essa documentação comprometedora, que acabou por destruir na trituradora de papéis, não sabendo que eu guardava uma cópia.”

Além do antigo líder dos populares e chefe de governo de Espanha entre 2011 e 2018, Bárcenas enumera outros líderes do PP que recebiam mensalmente pagamentos ilegais do saco azul, entre eles Rodrigo Rato, antigo vice-primeiro-ministro de Aznar; a antiga ministra da Defesa e secretária-geral do PP Dolores de Cospedal; Ángel Acebes, também ex-secretário-geral do PP e ministro do Interior e da Justiça; e Federico Trillo, antigo presidente do Parlamento e ministro da Defesa.

SAIBA MAIS

2013

Bárcenas revela a existência do saco azul do PP. Fala de pagamentos de valores não declarados, provenientes desse financiamento ilegal, entre os 5 mil e os 15 mil euros mensais a líderes do partido, entre eles Mariano Rajoy.

Bárcenas acusa o PP de, em fevereiro de 2013, com cumplicidade da polícia, ter levado do seu gabinete documentos e computadores com dados sobre o saco azul. A denúncia deu origem a uma investigação conhecida como ‘Caso Kitchen’.

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