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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Fabricante francesa de drones militares alvo de tentativa de espionagem a favor da Rússia

Suspeito foi detido a 3 de junho "enquanto filmava um protótipo de drone de uma empresa que fornece os exércitos francês e ucraniano".

19 de junho de 2026 às 23:04

Uma destacada fabricante francesa do setor de drones militares, a Delair, foi alvo de uma alegada tentativa de espionagem a favor da Rússia, frustrada quando um homem foi detido enquanto filmava um protótipo na sua fábrica em Toulouse.

O Ministério Público de Paris confirmou esta sexta-feira à agência de notícias francesa AFP a acusação e a detenção provisória, no início de junho, daquele homem de 48 anos, nascido na Bielorrússia, uma informação revelada pelo diário Le Parisien.

O suspeito foi detido a 3 de junho "enquanto filmava um protótipo de drone de uma empresa que fornece os exércitos francês e ucraniano", precisou o Ministério Público.

"As investigações, conduzidas pela Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI), determinaram que ele terá enviado um vídeo a um interlocutor na Rússia", acrescentou.

Dois dias depois, o Ministério Público de Paris abriu um inquérito judicial, confiado a um juiz de instrução, por várias ofensas aos interesses fundamentais da Nação.

O homem está acusado de ter fornecido informações a uma potência estrangeira, a Rússia, um crime que pode implicar 15 anos de prisão, e de associação criminosa, acrescentou o Ministério Público.

Segundo uma fonte próxima ao processo, o homem, residente em Espanha, tinha como alvo a fábrica Delair, em Labège, perto de Toulouse (sudoeste de França).

Esta fábrica tinha sido alvo, na véspera da detenção daquele homem, de lançamentos de coquetéis Molotov, levando o Ministério Público de Toulouse a abrir uma investigação por "destruição por meios perigosos para as pessoas", indicou à AFP esta sexta-feira à noite o procurador da República de Toulouse, David Charmatz.

Com uma experiência reconhecida no conflito ucraniano, a fabricante de drones de Toulouse Delair, fundada há 15 anos, emprega 250 pessoas e espera um volume de negócios de 50 milhões de euros em 2025.

Aquela fabricante desenvolveu várias gerações de drones aéreos e subaquáticos, utilizados para defesa, segurança e também vigilância industrial, com mais de 3.000 drones colocados no mundo.

"As autoridades competentes assumiram o caso, não temos comentários a fazer", declarou à AFP Stéphane Douce, responsável pelas relações públicas da Delair.

"A nossa atividade não foi afetada por estes acontecimentos e (...) tomámos todas as medidas necessárias para reforçar a segurança dos bens e das pessoas da nossa empresa", acrescentou.

O Ministério Público de Paris está encarregue de investigar suspeitas de interferências estrangeiras cometidas em toda a França, incluindo este tipo de casos.

Alguns dos processos foram tornados públicos nos últimos meses, incluindo a acusação em fevereiro de quatro pessoas, entre as quais dois cidadãos chineses, acusados de espionagem a favor de Pequim e detidos no final de janeiro de 2026 na Gironde.

O caso começou com a descoberta por vizinhos de uma antena parabólica de cerca de dois metros de diâmetro numa casa alugada por Airbnb.

Segundo o Ministério Público, o aparelho destinava-se a captar "dados via satélite do rede Starlink e de dados provenientes de entidades de importância vital, nomeadamente militares".

Outra investigação também foi aberta no final de dezembro de 2025 após a descoberta de um dispositivo espião, que poderia permitir assumir o controlo remoto de um navio, a bordo de um ferry italiano que fez escala em França.

Esta possível ingerência estrangeira, provavelmente russa, foi qualificada como "muito grave" pelo ministro do Interior.

Algumas semanas antes, no final de novembro de 2025, três pessoas foram indiciadas e detidas em Paris no âmbito de um duplo caso de espionagem económica a favor de Moscovo e de ingerência, após a descoberta de cartazes pró russos no Arco do Triunfo.

O caso envolvia nomeadamente Anna Novikova, uma franco russa nascida na Sibéria, e à frente da associação SOS Donbass, suspeita de ter abordado quadros de empresas francesas para obter informações económicas.

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