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Filho de Bolsonaro torna-se líder da bancada do partido presidencial

Mudança aconteceu após as constantes discórdias que levaram vários parlamentares trocarem de lado na Câmara dos Deputados.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 21 de Outubro de 2019 às 18:09
Deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro
Deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro
Deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, tornou-se esta segunda-feira novo líder da bancada do partido presidencial, o Partido Social Liberal, PSL, na Câmara dos Deputados, após parlamentares críticos ao pai dele mudarem de lado e resolverem apoiá-lo. Bolsonaro tentava há duas semanas tornar o filho líder para reduzir resistências e críticas da bancada do seu próprio partido ao governo, mas nas duas tentativas anteriores tinha sido derrotado.

Quarta-feira passada, o próprio presidente passou parte do dia no palácio presidencial a ligar para deputados do PSL, pelo qual ele e o filho se elegeram, pedindo apoio para Eduardo, mas sem conseguir o número suficiente de votos. Como o PSL tem 53 deputados e a regra da Câmara dos Deputados estipula que o líder tem de ter o apoio de ao menos metade mais um, eram necessárias as assinaturas de 27 parlamentares do partido para destituírem o agora ex-líder, Delegado Waldir, que é crítico à atuação do presidente da república.

No fim de semana, ministros, os filhos de Bolsonaro e aliados fizeram pressão sobre vários deputados até agora críticos à atuação do chefe de Estado e conseguiram que quatro deles passassem para a ala bolsonarista. Com isso, os pró-Bolsonaro, que antes não tinham conseguido mais do que 24 assinaturas para tentar eleger Eduardo, atingiram as 28, uma a mais do que necessário, e protocolaram o pedido na direção do parlamento, que aceitou a mudança de líder após conferir as assinaturas.

Waldir, que incomodava o governo com as suas críticas e chegou a dizer que Jair Bolsonaro é "um vagabundo" e que tinha gravações que poderiam implodir o presidente, ao início da tarde desta segunda-feira reconheceu a derrota. E, num tom bem mais civilizado do que o usado ao longo da semana passada, afirmou estar à disposição do novo líder para fazerem uma transição harmoniosa da liderança e dos assuntos em tramitação.

A troca de Waldir por Eduardo Bolsonaro insere-se numa campanha desencadeada duas semanas atrás por Jair Bolsonaro para tentar afastar o atual presidente do PSL, Luciano Bivar, e assumir o controle total do partido, o que até agora não tinha dado certo. Bolsonaro quer ter o poder de indicar os candidatos do partido às eleições municipais do ano que vem, e, o que o próprio Waldir afirmou há dias ser o verdadeiro motivo da ofensiva, ter o controle dos muitos milhões que o Partido Social Liberal vai receber do fundo eleitoral.

A ascensão de Eduardo Bolsonaro a líder do PSL no parlamento é uma vitória pontual de Jair Bolsonaro mas tem um certo sabor a derrota. O presidente indicou Eduardo há dois meses para novo embaixador do Brasil nos EUA, chegou a pedir e conseguir o apoio de Donald Trump para esse tão sonhado projecto, mas foi forçado a desistir ante a forte resistência ao nome do seu filho no Senado, que tem a última palavra na nomeação de diplomatas, e Eduardo ganhou a liderança do partido como uma espécie de prémio de consolação.
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