É filho de um dos fundadores do Hamas e espiou a favor de Israel durante mais de uma década. Graças à sua colaboração com o Shin Bet, os serviços de segurança internos israelitas, evitaram-se dezenas de ataques suicidas. Mosab Hassan Yousef, de 32 anos, decidiu agora revelar o seu passado de traição ao movimento do pai no livro ‘Son of Hamas’.
Filho de Hassan Yousef, que está preso em Israel, Mosab Yousef iniciou-se como espião em 1997, um ano depois de ter sido preso pela polícia israelita. Sob o nome de código ‘Príncipe Verde’, cor da bandeira do Hamas, foi fornecendo, quase diariamente, informações importantes sobre o movimento e as suas acções ao Shin Bet. Foi graças a ele que Israel conseguiu prender alguns dos homens que estavam na sua lista dos mais procurados, incluindo Marwan Barghouti, um líder da Fatah que chegou a ser considerado como um potencial candidato para ocupar a presidência palestiniana e foi acusado de planear ataques terroristas, e Abdullah Barghouti, um dos prncipais responsáveis do Hamas pelo fabrico de bombas.
O espião perseguiu até candidatos a suicidas nas ruas da Cijordânia durante a Segunda Intifada, há uma decada. Uma ocasião ajudou os agentes israelitas a localizar um bombista. O seu antigo agente israelita de ligação, identificado apenas como capitão Loai, contou ao jornal ‘Haaretz’: “Não sabíamos como se chamava o bombista nem qual era o seu aspecto físico. Só sabíamos que era um jovem na casa dos 20 e estaria vestido com uma t-shirt vermelha. Pusemos ‘Príncipe Verde’ no terreno e ele localizou o alvo em apenas alguns minutos. Muitas pessoas devem a sua vida a ele e não sabem. O mais interessante é que não colaborava connosco por dinheiro”.
Convertido ao Cristianismo e a viver actualmente na Califórnia, Mosab Yousef tem palavras duras para com o movimento do pai: “Hamas não pode fazer paz com Israel. Isso é contra aquilo que o Deus deles lhes impõe. É impossível fazer paz com infiéis, só se pode chegar a um cessar-fogo. A liderança do Hamas é que é responsável pela morte de palestinianos, não os israelitas”.
Contactado igualmente pelo ‘Haaretz’, Mosab Yousef mostrou-se preocupado com a possibilidade de o governo de Israel vir a libertar alguns dos prisioneiros que ele ajudou a capturar em troca da libertação Gilad Schalit, um soldado israelita sequestrado pelo Hamas há três anos. “Gostaria de estar em Gaza agora. Punha um uniforme militar e juntava-me às forças especiais israelitas para libertar Shalit”,afirmou.
Refira-se que o Shin Bet não vê com bons olhos a publicação deste livro, que revela com pormenores algumas das suas operações.
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