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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Flotilha humanitária diz que ativistas, incluindo uma portuguesa, detidos na Líbia há um mês vão ser libertados

Autoridades consulares portuguesas "estiveram com a cidadã Ana Margarida e encontraram-na de boa saúde física", disse no dia 16 de junho o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, à imprensa.

24 de junho de 2026 às 07:31

A flotilha Global Sumud afirmou que "recebeu confirmação" de que os 10 ativistas - incluindo uma portuguesa -, que participavam na Caravana Global Sumud Land em direção a Gaza, detidos na Líbia há um mês, "estão em processo de libertação".

"Após 30 dias de detenção ilegal na Líbia, recebemos a confirmação de que os dez voluntários sequestrados do nosso comboio humanitário estão em processo de libertação", indicou na terça-feira à noite a organização num comunicado divulgado nas redes sociais.

Destes, acrescentou, "quatro pessoas acabaram de chegar à Tunísia". São eles Achraf Khoja (Tunísia), Domenico Centrone e Leonarda Alberizia (Itália) e Matías Rodríguez (Uruguai).

A informação vai ao encontro do anteriormente declarado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, Antonio Tajani, que, horas antes, anunciou nas redes sociais a libertação de Centrone e Alberizia, prevendo a chegada destes a território italiano ainda hoje.

A flotilha Global Sumud acrescentou que "se espera que os restantes sejam libertados nas próximas 24 horas". Entre eles encontra-se ativistas de Portugal, Espanha, Estados Unidos, Polónia e Argentina.

As autoridades portuguesas conseguiram estar na terça-feira passada pela primeira vez com a ativista detida na Líbia desde final de maio, acusada de manifestação.

As autoridades consulares portuguesas "estiveram com a cidadã Ana Margarida e encontraram-na de boa saúde física", disse no dia 16 de junho o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, à imprensa.

"Obviamente que, do ponto de vista psicológico, é uma situação muito difícil porque ela continua detida a aguardar julgamento, algo que ainda pode demorar algumas semanas, por um suposto crime de manifestação", notou ainda, na altura, Rangel, à margem de um encontro com o homólogo da Arábia Saudita, no Palácio das Necessidades.

O ministro adiantou que a situação da portuguesa tem preocupado o Governo "desde o início" e que o ministério tem acompanhado o assunto com contactos diários com a embaixada portuguesa em Tunes (Tunísia) -- Portugal não tem embaixada na Líbia.

"A situação do ponto de vista da saúde física é boa. Obviamente que, do ponto de vista anímico, uma pessoa que está nesta situação tão complexa, obviamente que tem de estar um pouco em baixo. Isso é compreensível", referiu Paulo Rangel.

"Toda a União Europeia está a fazer uma pressão grande para a libertação dos cidadãos", disse.

A confirmação por parte da flotilha Global Sumud surgiu apenas algumas horas depois de as autoridades do leste da Líbia anunciarem o início das deportações dos ativistas, uma ação empreendida "em cumprimento da decisão proferida pelo Procurador-Geral do Tribunal de Recurso de Bengasi", conforme assinalado nas redes sociais pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da administração paralela líbia.

"Foram iniciados os procedimentos legais e administrativos necessários para implementar esta decisão, em conformidade com a legislação em vigor", sublinhou o ministério, defendendo que a implementação da decisão "está em conformidade com o respeito pela soberania do Estado líbio" e que vai garantir "a preservação da ordem pública e da segurança nacional".

A flotilha Global Sumud exortou "todos a manterem a pressão até que cada um deles regresse são e salvo a casa".

Além disso, apesar de "celebrar esta notícia", quis também recordar "os quase dez mil presos políticos palestinianos".

"[E] os nossos quatro organizadores tunisinos detidos e as dezenas de milhares de pessoas injustamente retidas em centros de detenção em todo o mundo (...). Ninguém será livre até que todos sejamos livres", concluiu a organização em comunicado.

A caravana incluía dez camiões com ajuda humanitária, sete ambulâncias e mais de 200 participantes, incluindo especialistas em medicina, engenharia, logística e Direito Internacional Humanitário. Partiu da Mauritânia cerca de um mês antes de ser bloqueada num posto de controlo próximo da cidade de Sirte.

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