Foliões do Carnaval do Brasil levam telemóvel extra para darem aos ladrões

Medida usada por muita gente depois de se verificar grande número de assaltos nas festividades.

Num país em que os índices de violência já há muito ultrapassaram o que cidadãos de outros países conseguem racionalizar, os foliões que querem curtir o Carnaval nas ruas das grandes cidades brasileiras tiveram de se adaptar à realidade e "inventar" saídas para não ficarem, por exemplo, sem os cobiçados telemóveis de última geração. E, com a tradicional criatividade dos brasileiros, um dos estratagemas dos foliões que querem registar a sua alegria com o seu telemóvel ou postarem imagens em tempo real nas redes sociais é saírem de casa não com um mas com dois aparelhos, um deles para dar aos ladrões.

A prática foi relatada por foliões em várias cidades brasileiras assoladas por altos índices de violência, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, e evita, além da perda do telemóvel de estimação, quantas vezes pago a preço de ouro para se ter um equipamento de qualidade, que o ladrão se irrite e agrida ou mate a pessoa que lhe diz não ter nenhum equipamento com ela. Casos de pessoas espancadas, esfaqueadas ou maltratadas de outras formas quando dizem não ter telemóvel, o que às vezes até verdade, têm-se sucedido pelo país.

Então, a estranha solução encontrada por vários foliões foi sair de casa com o seu telemóvel topo de gama escondido em alguma parte do corpo, normalmente dentro da cueca ou debaixo do boné, mas, ao mesmo tempo, levar um outro aparelho, este último em local mais visível e já com o inusitado fim de ser roubado. Assim, quando o folião é cercado por criminosos que lhe exigem o telemóvel sob a ameaça de alguma arma de fogo ou branca, a vítima faz uma cara de susto (o que não é difícil numa situação dessas...) e de pena de perder o seu bem e entrega o segundo equipamento aos ladrões.

Esse segundo aparelho é normalmente um modelo mais antigo, ou daqueles sem grandes avanços tecnológicos, bem mais baratos, muitas vezes comprado de segunda mão, ou até um aparelho de boa marca mas que está com algum problema cujo custo de reparo é quase igual ao de um novo.

Tanta preocupação não é por acaso e, muito menos, um exagero. De acordo com números divulgados pelas autoridades da cidade de São Paulo, por exemplo, em um único dia de folia carnavalesca pelas ruas da maior cidade do Brasil chegam a ser roubados 1500 telemóveis.

E este número representa apenas o de pessoas que deram queixa, pois boa parte das vítimas nem vai à esquadra, por pensar que não vai adiantar nada. Ou, ainda por cima, correr o risco de sofrer retaliações por parte dos ladrões se estes acabarem por ser localizados e presos, apesar de isso não ser muito comum.

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!