"Isto parece um pesadelo!...”. A frase, é da autoria, segundo fontes no Palácio do Planalto, do presidente brasileiro, Inácio Lula da Silva, ao assistir na televisão à notícia que pode ser a prova que faltava para comprovar as denúncias de corrupção contra o seu partido: a prisão, em São Paulo, de um assessor do Partido dos Trabalhadores (PT) que levava nas cuecas uma pequena fortuna em reais e dólares não declarados.
José Adalberto Vieira da Silva, de 39 anos, preso no aeroporto de Congonhas, zona sul da capital paulista quando as máquinas de raios x detectaram a presença do dinheiro (o equivalente a 160 mil euros, parte numa maleta e o resto nas cuecas), é nem mais nem menos que o assessor do deputado José Nobre Guimarães, presidente regional do PT no estado do Ceará e irmão de José Genoíno, presidente nacional do partido.
Quando os detectores do aeroporto identificaram uma grande quantidade de dinheiro numa mala de mão, Adalberto declarou que era fruto da venda de verduras e hortaliças, de que supostamente seria produtor. Mas, ao ser revistado, minutos depois numa sala da Polícia Federal do aeroporto, recusou-se a dizer a origem e a que se destinava a pequena fortuna em dólares que escondia... nas cuecas. Refira-se que o dinheiro que transportava de São Paulo para o Ceará, onde mora e trabalha, é equivalente a mais de 19 anos do salário mensal que aufere como assessor parlamentar.
A prisão de Adalberto está a ser considerada nitroglicerina pura nos meios políticos em Brasília.. Sob uma chuva de denúncias de subornos a deputados e de desviar de empresas do governo avultadas quantias que seriam transportadas em dinheiro vivo pelo país para não deixarem rasto, o Partido dos Trabalhadores sempre negou essas acusações e tem desafiado a oposição a provar essas presumíveis movimentações financeiras em numerário, o que agora parece ter ocorrido.
Mal souberam da prisão, líderes do PT recorreram à táctica habitual de dizerem que se trata de uma manobra forjada pela direita para incriminar o partido através, imagine-se de um espião infiltrado. Mas essa versão ruiu logo depois, pois Adalberto está no Partido dos Trabalhadores há mais de dez anos e é o homem considerado de toda a confiança na alta cúpula do partido do presidente.
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