Ex-ministra da cultura de França ai substituir no cargo a búlgara Irina Bokova.
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A ex-ministra da Cultura francesa Audrey Azoulay foi confirmada esta sexta-feira como a nova diretora-geral da UNESCO durante a 39.ª conferência geral daquela organização da ONU.
Azoulay, que vai substituir no cargo a búlgara Irina Bokova, fora eleita a 13 de outubro pelo Conselho Executivo da organização, ao derrotar na votação final o qatari Hamad bin Abdulaziz.
A ex-ministra francesa, a segunda mulher a liderar a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), recolheu hoje, na votação que confirmou formalmente a sua eleição, 131 votos a favor e 19 contra, entre 184 votantes. A maioria necessária era 76.
A antiga ministra socialista da Cultura, no cargo entre fevereiro de 2016 e maio de 2017, especialista em cinema e marcada por uma infância franco-marroquina, avançou com a candidatura para a liderança da UNESCO à última hora, em março passado, ao argumentar que "a França tem grande legitimidade na cultura, educação e nas ciências".
No decurso da sua campanha, citou mesmo o estadista francês e figura do socialismo Léon Blum (1872-1950), para quem a UNESCO deveria ser "a consciência das Nações Unidas".
No entanto, apenas se dedicou totalmente à eleição para a direção-geral da agência da ONU após ter abandonado o seu ministério, na sequência da vitória de Emmanuel Macron nas eleições presidenciais de maio.
Audrey Azoulay nasceu em agosto de 1972 em Paris, numa família judia marroquina natural de Essaouira. O seu pai é o banqueiro e político André Azoulay, conselheiro do atual rei de Marrocos, como foi de seu pai, Hassan II. A sua mãe é a mulher de letras Katia Brami.
A eleição da nova diretora-geral quase coincidiu com o anúncio de Israel e dos Estados Unidos, o principal aliado de Telavive, de que iriam abandonar a UNESCO. A 12 de outubro, os dois aliados acusaram a organização da ONU de posições e preconceitos "anti-israelitas".
Na altura, o Departamento de Estado norte-americano indicou que a saída só seria formalizada a 31 de dezembro de 2018, permanecendo como membro de pleno direito até essa data.
Washington e Telavive deixaram de pagar as contribuições financeiras para UNESCO depois de a Palestina ter sido admitida como membro a 31 de outubro de 2011. Na altura, a Palestina tornou-se no 195.º membro da UNESCO.
Em julho passado, os dois países advertiram que estavam a reavaliar a sua ligação à UNESCO, por causa da decisão da organização de inserir a cidade velha de Hebron, na Cisjordânia, na lista de património mundial e em risco.
Na última quarta-feira, durante a 39.ª conferência geral que formalizou em Paris a eleição de Audrey Azoulay, Portugal foi eleito para o Conselho Executivo da UNESCO, mandato que irá prolongar-se até 2021.
É a quarta vez que Portugal é eleito para este órgão da UNESCO. A última vez que o país teve assento no Conselho Executivo da UNESCO foi entre 2005 e 2009.
Portugal aderiu à UNESCO em 1965, retirou-se da organização internacional em 1972 e reingressou em 11 de setembro de 1974.
Com 195 estados-membros e oito membros-associados, esta agência da ONU tem um objetivo ambicioso: "Construir a paz no espírito dos homens através da educação, ciência, cultura e comunicação".
A UNESCO, conhecida como uma das guardiãs do património cultural mundial, é sobretudo reconhecida pelos seus programas educativos e pela elaboração da lista de património mundial cultural e natural.
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