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Francesa Capgemini vende filial nos EUA que tem contrato polémico com ICE

Rusgas do ICE nos Estados Unidos têm sido condenadas pelas autoridades locais e levado a protestos com milhares de manifestantes.

01 de fevereiro de 2026 às 12:10

A tecnológica francesa Capgemini vai vender a sua filial nos Estados Unidos que presta serviços à polícia de imigração ICE, após a polémica provocada pela revelação de um contrato que fornecia uma ferramenta para identificar e localizar pessoas estrangeiras.

"A Capgemini vai colocar à venda a sua filial Capgemini Government Solutions", disse este domingo a gigante francesa de tecnologia em comunicado.

A Capgemini afirmou que a empresa norte-americana apenas representa 0,4% da receita estimada do grupo em 2025 (menos de 2% da sua receita nos Estados Unidos) e que o processo de venda arrancará imediatamente.

Segundo as informações da associação Observatório das Multinacionais, publicadas na semana passada e divulgadas pela France 2, a Capgemini forneceu ao Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE na sigla em inglês) uma ferramenta de identificação e localização de estrangeiros. A revelação provocou grande polémica.

Uma reunião extraordinária do conselho de administração da Capgemini foi convocada no passado fim de semana.

A Capgemini disse que "as habituais restrições legais impostas nos Estados Unidos para a contratação com entidades federais que realizam atividades classificadas não permitiam ao grupo exercer o controlo adequado sobre certos aspetos das operações dessa filial, a fim de garantir o alinhamento com os objetivos do grupo".

O presidente executivo da Capgemini, Aiman Ezzat, afirmou em 25 de janeiro, numa mensagem publicada na rede social Linkedin, que descobriu "através de fontes públicas" a existência deste contrato, prestado por uma filial do grupo especializada há quinze anos na prestação de serviços ao governo federal dos EUA.

Segundo Ezzat, esta empresa, sujeita à legislação americana, "toma decisões de forma autónoma" e o grupo Capgemini não tem acesso a qualquer informação ou contrato classificado".

Segundo documentos públicos da administração norte-americana, o contrato assinado em 18 de dezembro tinha um valor de 4,8 milhões de dólares e, dependendo do desempenho da empresa, poderia chegar aos 365 milhões de dólares.

Há vários dias que os dirigentes sindicais e políticos em França questionavam o grupo sobre a sua responsabilidade face aos contratos com a ICE.

Cotada no CAC 40, o principal índice da bolsa de Paris, a Capgemini está presente em cerca de meia centena de países em todo o mundo.

Frédéric Bolloré, representante sindical central da CFDT para o grupo, disse à AFP que nunca viveu uma crise como a que está a enfrentar este domingo, nos seus 32 anos na empresa. "É um choque enorme para os funcionários", enfatizou.

As rusgas do ICE nos Estados Unidos têm sido condenadas pelas autoridades locais e levado a protestos com milhares de manifestantes.

Durante protestos, agentes da imigração mataram a tiro dois manifestantes, Renée Good e Alex Pretti, ambos de 37 anos e nacionalidade norte-americana, o que causou indignação em todo o país.

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