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Funcionários de call center obrigados a trabalhar com colega morta ao lado. Empresa nega

"Um colega perguntou se podia ir para casa e foi-lhe ordenado que continuasse, porque o que fazem é 'um serviço essencial", disseram três trabalhadores que pertencem ao sindicato CGT.

20 de junho de 2023 às 13:01

Uma mulher morreu, vítima de ataque cardíaco, na passada terça-feira, no call center em que trabalhava, em Madrid, Espanha. Os colegas de trabalho foram obrigados a continuar o serviço com a colega morta ao lado. A empresa nega as acusações. 

De acordo com o El País, o corpo da mulher ficou no chão, os trabalhadores das secretárias adjacentes levantaram-se, mas os restantes não sabiam o que fazer. No outro extremo da sala, alguns operadores continuaram a fazer o seu trabalho. Foi nessa altura, segundo três trabalhadores do sindicato CGT, que um colega perguntou se podia ir para casa e foi-lhe ordenado que continuasse, porque o que fazem é "um serviço essencial".

Segundo o jornal, os operadores do call center atendem chamadas sobre avarias elétricas e o local tem cerca de 70 cubículos. As pausas dos empregados são calculadas ao minuto e, segundo alguns deles, os supervisores controlam os operadores para que não abrandem o ritmo de trabalho.

De acordo com o sindicato, a ordem para continuar a atender chamadas só foi recebida por alguns trabalhadores individualmente. Houve operadores que se levantaram das secretárias e saíram indispostos, outros continuaram por "inércia", habituados a um sistema de trabalho automatizado em que a opção instintiva é continuar a atender chamadas.

A mulher trabalhava na multinacional espanhola de call centers Konecta há cerca de 15 anos e desconhece-se a causa do ataque cardíaco.

Segundo o El País, um porta-voz da empresa nega que alguém "tenha sido obrigado a trabalhar ao lado do cadáver". Acrescenta que a empresa está concentrada em atender os familiares da falecida, "que estão a sofrer por causa do ruído mediático".

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