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FÚRIA LABORAL NA ARGENTINA

Trabalhadores de uma fábrica em Buenos Aires, capital da Argentina, estimulados pela concentração de centenas de manifestantes e activistas políticos, tentaram retomar o controlo da empresa, devolvida aos proprietários por ordem judicial, desencadeando violentos confrontos com forças policiais, dos quais resultaram mais de 60 feridos. Sinais de um país insolvente e em contagem decrescente para as presidenciais do próximo domingo.

22 de abril de 2003 às 10:21

No histórico naufrágio económico da Argentina, no final de 2001, quando a economia nacional colapsou em absoluto, o dinheiro deixou de ter valor e o poder político ficou impotente, de que foi exemplo a sucessão de cinco presidentes em escassas duas semanas, os argentinos levaram a sua fúria às ruas. Nas margens da revolta, muitos empresários declararam falência dos seus negócios e muitas empresas continuaram em actividade por puro capricho dos seus trabalhadores, que sacrificaram custos na mira de algum lucro. Um desses casos foi o da fábrica de têxteis Brukman.

Mais de dois anos volvidos sobre o colapso, empresários procuram em tribunal recuperar a propriedade tomada pelos trabalhadores. A Brukman foi devolvida aos patrões por ordem judicial, mas os trabalhadores recusaram sair das instalações. A sua posição foi reforçada pela concentração de centenas de manifestantes e, quando a Polícia tentou retirar os trabalhadores da fábrica, teve início uma autêntica batalha campal, durante a qual 46 manifestantes e 20 polícias ficaram feridos. De acordo com o jornal argentino “La Nacion”, centenas de manifestantes foram detidos. O motim teve início ontem à tarde e prolongou-se pela noite.

Buenos Aires despertou hoje para mais um cenário de violência e caos, com as ruas em redor da fábrica Brukman a exibirem os sinais de uma noite de violência civil e a recordar aos argentinos que os recentes sinais de recuperação industrial estão ainda próximos do ‘naufrágio’ de há dois anos. E o facto de as promessas eleitorais constituírem o discurso política mais ouvido, em plena campanha eleitoral para as presidenciais do próximo domingo, só pode mexer com o trauma de uma sociedade que perdeu as suas bases há pouco tempo. É o despertar da política eleitoral (as primeiras eleições desde o ‘naufrágio’) num clima económico ainda indefinido.

MENEM FAVORITO

O candidato presidencial Carlos Menem apresentou ontem o seu programa eleitoral, prometendo recuperar a moeda argentina (peso), restabelecendo a paridade com o dólar e eliminando todas as moedas regionais, garantir duas rações diárias de comida para os necessitados (57,5% da população, ou 36 milhões de pessoas) e recorrer ao Exército para assegurar a ordem pública.

Segundo as mais recentes sondagens, Menem lidera as intenções de voto para o próximo domingo, muito embora os analistas prevejam que o escrutínio só será decidido na segunda volta, a 18 de Maio, antecipando que nenhum dos cinco candidatos irá obter mais de 20 por cento dos votos. Recorde-se que Menem concorre a um terceiro mandato presidencial, depois de ter governado o país de 1989 a 1999, tendo sido apontado por corrupção e como um dos responsáveis pelo naufrágio económico da Argentina.

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