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Governador de São Paulo e virtual candidato à presidência é eleito presidente do PSDB

Aécio Neves foi forçado a deixar o cargo após ser alvo de uma vaga de denúncias de corrupção.

09 de dezembro de 2017 às 20:06

O governador do estado brasileiro de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi eleito este sábado presidente do Partido da Social Democracia Brasileira, PSDB, em substituição ao senador e segundo colocado nas presidenciais brasileiras de 2014, Aécio Neves, forçado a deixar o cargo após ser alvo de uma vaga de denúncias de corrupção. A eleição para a presidência do segundo maior partido do Brasil abre caminho para Alckmin realizar o seu projecto mais ambicionado, ser escolhido o candidato do PSDB às presidenciais de 2018.

Alckmin, que só aceitou candidatar-se à liderança do partido se fosse candidato único, apoiado por todas as alas que há meses se degladiam dentro do partido, foi eleito com 470 votos a favor e apenas 3 contra. Os dois outros potenciais candidatos à liderança, o governador do estado de Goiás, Marconi Perilo, e o ex-governador do estado do Ceará, Tasso Jereissati, aceitaram renunciar às suas candidaturas em nome da união do partido, dividido entre os que apoiam o governo do presidente Michel Temer, como Perilo, e os que defendem a ruptura com o executivo, como Jereissati.

Após a eleição, Geraldo Alckmin já mostrou as suas aspirações presidenciais e atacou o atual líder nas sondagens de intenção de voto para 2018, o ex-presidente Lula da Silva. Alckmin fustigou asperamente Lula e afirmou ser um absurdo e uma desfaçatez que "quem levou o Brasil para a maior crise da sua história agora esteja a tentar voltar ao poder".

Ser presidente do Brasil é um sonho antigo de Geraldo Alckmin, que já o tentou em 2006, sendo na altura derrotado pelo próprio Lula, que nesse ano conseguiu a reeleição. Em 2010, Alckmin fez de tudo para ser novamente o candidato do PSDB à presidência, mas foi superado internamente por José Serra, que acabou por ser também derrotado, dessa feita pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff.

O PSDB vive há muito tempo uma crise interna, tanto porque o até hoje presidente, Aécio Neves, se recusou terminantemente a deixar o cargo até à Convenção Nacional deste sábado, apesar das gravíssimas acusações que enfrenta, quanto porque o partido está meio fora e meio dentro do governo. Nas denúncias contra Michel Temer por corrupção votadas no parlamento em Junho e Agosto, metade dos deputados do PSDB votou contra o presidente da República e a outra metade a favor.

Com a eleição de Alckmin, a saída definitiva do PSDB da base de apoio a Temer, tantas vezes ameaçada e adiada, deve ser formalizada, mas ocorrerá, como o próprio Temer definiu, de forma "elegante". Sexta-feira, o ministro da Articulação Política, António Imbassahy, do PSDB, antecipou-se e pediu demissão, e na Convenção foi pedido à ministra de Direitos Humanos, Luíslinda Vallois, também do partido, que faça o mesmo.

O terceiro membro do PSDB que ainda faz parte do governo, Aloysio Nunes Ferreira, ministro dos Negócios Estrangeiros, já anunciou que vai continuar no cargo, mas não mais como representante do partido e sim como convidado de Temer. Com a nova liderança do PSDB e a saída "elegante" do governo, Temer, que convenceu Alckmin a aceitar a candidatura, espera que o partido, apesar de passar a ser independente, aprove as reformas impopulares que Temer apresentou ao Congresso e para as quais os votos dos sociais-democratas são essenciais.

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