Seis países da zona euro, incluindo Portugal, França, Espanha ou Itália, possuem uma taxa de desemprego superior à média da União.
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O Governo grego vai propor à União Europeia (UE) que os países com taxa de desemprego acima da média possam investir mais nessa área sem serem penalizados no saldo primário, referiu à Lusa em Atenas a ministra-adjunta para o Emprego.
"Propusemos a todos os nossos parceiros, e à Comissão Europeia, que qualquer país na Europa com uma taxa de desemprego acima da média seja autorizado a gastar proporcionalmente mais [em apoios aos desempregados], de modo a cobrir a diferença, e que esse gasto não entre no cálculo do saldo primário", revelou Rania Antonopoulou, que admitiu ter mantido uma conversa nesse sentido com o ministro português do Trabalho, Vieira da Silva, e outros homólogos da zona euro.
O desemprego permanece um dos principais flagelos da economia grega, apesar de ter recuado de 27% para cerca de 22% por cento desde janeiro de 2015, quando o Governo de coligação liderado pelo partido de esquerda Syriza subiu ao poder.
Atualmente, seis países da zona euro - incluindo Portugal, França, Espanha ou Itália - possuem uma taxa de desemprego superior à média da União, e o objetivo desta medida consiste em que o investimento proposto "fique fora dos livros e numa rubrica à parte, como se se tratasse de uma despesa para construir uma estrada", indicou a responsável grega à Lusa, no decurso de uma deslocação a Atenas organizada pelo ministério de Política digital, comunicações e media.
"Espanha, Portugal, Luxemburgo, França, Alemanha e Eslovénia concordaram com esta proposta. O próximo passo é ir ao Parlamento Europeu, e ainda ao Conselho Europeu. Espero que em setembro estejamos envolvidos numa campanha através dos países da UE que reconheça que a pobreza tem duas causas: salários muito baixos e desemprego maciço em alguns países", precisou.
Nos seus contactos com os ministros do Trabalho da zona euro, a ministra-adjunta grega, professora de Economia no Bard College de Nova Iorque, argumentou que o "investimento nas pessoas" não deve ser considerado como uma despesa que depois vai pesar nas contas do Estado.
"Vamos assumir que alguém nos empresta dinheiro, que vamos descobrir dinheiro, ou que vamos obter mais dinheiro dos impostos. Posso gastá-lo? A resposta [de Bruxelas] é não. Porque não? Porque esses apoios [aos desempregados] são considerados como despesa. Olhem para o investimento em [capital] humano, olhem para o investimento em trabalho. Mas como isto é considerado como despesa, entra no cálculo do excedente primário do país", explicou.
Na Grécia, a taxa de desemprego disparou dos 7% em 2011, no início da "crise da dívida", para 27,5% em janeiro de 2015, quando o partido da esquerda grega Syriza venceu as eleições e subiu ao poder, desde então coligado com a direita soberanista dos Gregos Independentes (Anel). Uma aliança confirmada nas legislativas antecipadas de setembro desse ano, e que se mantém.
"Quando se observam os 200.000 novos empregos que foram criados [desde janeiro de 2015] isso significa que 200.000 famílias que não tinham uma pessoa sem trabalho, têm agora alguém que está empregada. No entanto, isso não é um motivo para celebrar, porque um milhão de pessoas ainda está sem emprego", assinalou a responsável grega.
Entre as medidas adotadas pelo atual executivo para combater o desemprego, incluem-se subsídios para as pequenas e médias empresas que possam contratar, e apoio à formação, reciclagem ou atualização das competências profissionais.
Na área que abrange o desemprego de longa duração, precisou a ministra-adjunta, foram organizados programas no setor público que se prolongam por oito meses, com apoio municipal, e que incluem requalificação.
O desemprego jovem, que em janeiro de 2015 atingia os 62%, também tem vindo a ser reduzido, mas de forma insuficiente.
"A taxa de desempego é muito elevada entre os jovens", refere Rania Antonopoulou. "Mas quando se observa o número total de desempregados, entre os 30 anos e os 45 anos existem 450.000 pessoas sem emprego. Entre os 15 anos e os 29 anos, são 200.000".
Entre os jovens desempregados, 52.000 são licenciados em universidades ou escolas técnicas e ainda permanecem na Grécia. Pelo contrário, 427 mil gregos saíram do país desde o início da crise, em 2008, na maioria recém-licenciados.
A ministra-adjunta admite que o êxodo da população jovem prosseguiu nos dois últimos anos, mas acusa a oposição de direita de distorcer os números para benefício eleitoral.
Apesar dos tímidos sinais de recuperação, muitos jovens mantêm um trabalho em 'part time', e ainda não é percetível quantas pessoas com trabalho a tempo inteiro conseguiram ultrapassar a "linha de pobreza", num país onde o PIB recuou 25% entre 2010 e 2015, onde os reformados perderam 65% do rendimento, e onde um em cada três gregos caiu na pobreza.
Neste cenário, o combate à "pobreza extrema" tornou-se na prioridade do Executivo, e quando o salário mínimo líquido se situa nos 495 euros.
"Nos últimos cinco meses tivemos 52% de empregos a tempo inteiro. Tivemos de travar a tendência em que se impunha o trabalho parcial, e começar a revertê-la. Mas em dois anos, não há milagres", constatou.
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