Enquanto a Europa enfrenta a sua mais recente onda de calor, as altas temperaturas prenunciam a época dos incêndios florestais.
A Grécia está a procurar ajuda nos céus para combater os incêndios florestais, com uma constelação de satélites dedicada à monitorização de incêndios que servirá de modelo para o continente europeu.
No calor abrasador do verão mediterrâneo, os incêndios florestais tornam-se perigosos em poucos minutos. A Grécia aprendeu isto a um custo terrível. Em 2018, um incêndio a leste de Atenas alastrou a uma velocidade feroz, matando mais de 100 pessoas. Cinco anos depois, um incêndio de grandes proporções devastou uma reserva natural remota, no maior incêndio florestal já registado na União Europeia.
Agora, Grécia procurou ajuda em quatro satélites, cada um mais pequeno do que uma bagagem de mão, foram lançados em órbita baixa em maio.
Isto fez da Grécia a primeira nação do mundo a integrar uma rede de satélites dedicada ao seu sistema nacional de combate a incêndios.
Construídos pela empresa alemã OroraTech, os satélites transportam sensores térmicos concebidos para identificar novos focos de incêndio com apenas quatro metros de largura, superando os satélites tradicionais que apenas conseguem detetar incêndios do tamanho de um navio de cruzeiro.
Enquanto a Europa enfrenta a sua mais recente onda de calor, as altas temperaturas prenunciam a época dos incêndios florestais.
Os incêndios representam um desafio singular na Grécia, com o seu continente montanhoso extremamente seco e mais de 100 ilhas habitadas.
Se um incêndio começar, os dados de satélite processados por inteligência artificial (IA) são enviados como um alerta aos comandantes, com a localização, o tamanho e a intensidade já calculados.
Se vários incêndios estiverem a deflagrar simultaneamente, os dados em tempo real são cruciais para determinar a resposta.
"Por exemplo, se houver 10 incêndios em toda a Grécia e o poder de radiação do fogo for menor em alguns casos, não se dará prioridade a esses focos, será dada prioridade a outros", referiu a coronel Zisoula Ntasiou, vice-presidente da Associação Internacional de Serviços de Incêndio e Resgate, em entrevista à agência Associated Press (AP).
Os sensores térmicos também detetam painéis solares, telhados de fábricas quentes e paredes rochosas expostas ao sol, mas os modelos de IA são desenvolvidos para filtrar estes alarmes falsos antes que os alertas cheguem aos serviços de emergência, de acordo com as autoridades envolvidas no programa.
"A temperatura global está a subir. Isto faz com que os incêndios mudem em intensidade e ferocidade. Os nossos modelos precisam de mudar e ajustar-se a isso. Precisam de ser mais rápidos. Precisam de ser mais precisos", frisou Ioannis Lantouris, chefe das operações da OroraTech na Grécia.
Os satélites térmicos acrescentam uma camada de deteção aos drones e aos sensores terrestres, e a Grécia expandiu ambos desde o desastre de 2018, que obrigou a uma reformulação da resposta aos incêndios florestais.
A constelação ajuda a preencher lacunas de cobertura de satélites internacionais, a detetar incêndios em terrenos remotos e a construir modelos mais detalhados do comportamento do fogo.
Vários países utilizam satélites térmicos, mas a Grécia é o primeiro a integrá-los completamente no seu sistema de combate a incêndios.
Os próprios satélites representam um estágio inicial de um esforço mais vasto apoiado pela Europa.
A Grécia está a construir uma rede de observação mais ampla com três empresas europeias, combinando satélites térmicos, satélites de radar capazes de ver através de nuvens e fumo e satélites óticos que captam imagens altamente detalhadas do solo.
Esta rede tem um custo total de 200 milhões de euros e é financiada pela UE. A queda dos custos de lançamento e fabrico tornou a expansão possível e estão previstos mais lançamentos de satélites até ao final do ano.
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