ONG, que afirmou repetidamente que não pode pagar tal montante, indicou a sua intenção de recorrer.
Um juiz do Estado norte-americano do Dakota do Norte confirmou sexta-feira a sentença que obriga a ONG Greenpeace a pagar 345 milhões de dólares (293 milhões de euros) de indemnização à operadora de um oleoduto a que se opôs.
A decisão, sem precedentes na história das ONG ambientais, ameaça a própria existência da icónica organização de proteção ambiental, que denuncia a tentativa de uma petrolífera norte-americana de a silenciar através da sua falência, noticiou a agência France-Presse (AFP) que consultou a sentença.
"Esta é uma sentença devastadora", frisou à AFP Michael Gerrard, professor de Direito na Universidade de Columbia e especialista em litígios climáticos, "não só para a Greenpeace, mas também para o movimento ambiental global".
A decisão desta sexta-feira confirma a sentença de um júri de março de 2025 que considerou três entidades da Greenpeace responsáveis pela maioria das acusações feitas pelo grupo Energy Transfer e as condenou a pagar mais de 665 milhões de dólares (563 milhões de euros).
Este valor recorde foi posteriormente revisto em baixa pelo juiz, que determinou que alguns danos tinham sido contabilizados duas vezes.
A empresa de infraestruturas de petróleo e gás Energy Transfer acusou a Greenpeace de desempenhar um papel central nos protestos de grande escala de 2016 e 2017 contra a construção de um oleoduto, uma alegação refutada pela ONG e por representantes indígenas envolvidos no movimento de protesto.
A empresa processou três entidades da Greenpeace, incluindo as suas filiais internacional e americana, por diversas ofensas, incluindo difamação, perturbação da paz e invasão de propriedade, e procurava uma indemnização recorde.
A ONG, que afirmou repetidamente que não pode pagar tal montante, indicou a sua intenção de recorrer.
"Esta batalha legal está longe de terminar. Vamos solicitar um novo julgamento e, caso não seja possível, recorreremos da sentença para o Supremo Tribunal do Dakota do Norte", anunciou Kristin Casper, da Greenpeace Internacional, esta semana.
A tribo Sioux de Standing Rock e grupos ambientalistas, incluindo a Greenpeace, acompanhados em diversas ocasiões por milhares de manifestantes, tentaram, sem sucesso, impedir a construção de um troço do oleoduto que, segundo os Sioux, atravessaria locais sagrados e ameaçaria as suas fontes de água potável.
O grupo Energy Transfer procurava uma indemnização de 300 milhões de dólares da Greenpeace para compensar os danos que alegava ter sofrido durante este movimento de protesto.
Mas, durante o julgamento, a indemnização pedida mais do que duplicou, de forma a "dissuadir a Greenpeace e outras organizações de agirem da mesma forma no futuro", segundo um dos advogados da Energy Transfer, Trey Cox, citado pelo North Dakota Monitor.
Este foi o segundo processo interposto pelo grupo contra a Greenpeace, após o fracasso de uma ação inicial em 2019 num tribunal federal.
Determinada a retaliar, a Greenpeace anunciou em 2025 que iria processar a empresa nos Países Baixos, onde se situa a sua sede internacional, invocando a legislação europeia contra litígios abusivos e vai procurar uma indemnização pelos custos incorridos nessas batalhas judiciais.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.