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Guerra de Israel encurrala libaneses no sul do país

Estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham deixado a zona fronteiriça para fugir à ofensiva israelita.

19 de março de 2026 às 01:30

Os surpreendentes ataques do Hezbollah a partir do sul do Líbano contra posições no norte de Israel, junto à fronteira entre os dois países, será a justificação para o ataque estratégico das forças de Telavive contra infraestruturas com vista ao isolamento operacional da milícia pró-iraniana. Para quem, como Israel, tinha anunciado a decapitação do Hezbollah, as forças do movimento xiita surpreenderam os israelitas com um eficaz poder de fogo. Por isso, a tarde e noite de quarta-feira foram marcadas pelos bombardeamentos de pontes sobre o rio Litani, a divisão natural do Líbano e da região sul, controlada pelo Hezbollah, de forma a impedir a circulação de operacionais e, sobretudo, de armas e munições do norte para sul. Acontece que ao impedir este movimento, Israel está também a impedir a fuga dos civis libaneses que ainda se encontram naquela zona. Sem pontes, a população que queira fugir para norte vai ficar encurralada numa mortífera zona de guerra.

Não é só a sul que a os raides israelitas estão a visar civis. Na madrugada desta quarta-feira, Beirute “viveu uma noite de inferno”, na expressão de um dos mais influentes jornais da capital libanesa. Os mísseis lançados pela aviação e pela marinha de Israel atingiram o coração da cidade, onde não era conhecida movimentação de operacionais ou dirigentes do Hezbollah, o alvo das ofensivas do Estado judaico. Um prédio de 15 andares foi atingido numa zona onde muitos deslocados do sul vagueiam tal é a falta de realojamento.

Estima-se que pelo menos 100 mil libaneses tenham deixado o sul do país desde o início da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, o que está a transformar as ruas de Beirute num imenso campo de deslocados de guerra. Há famílias a dormir em carros e muitas centenas de tendas montadas na praça dos Mártires, a mais emblemática da cidade que agora simboliza mais uma fuga das muitas a que os libaneses são obrigados na sequência dos ataques israelitas.

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