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Guiné-Bissau leva à conferência mundial sobre clima experiências "bem-sucedidas"

"Conseguimos introduzir técnicas de culturas resilientes ao clima, introduzir sementes que resistam à pouca quantidade de água e temperaturas altas", disse Viriato Soares Cassamá

15 de outubro de 2022 às 09:10

O ministro do Ambiente e Biodiversidade da Guiné-Bissau disse à Lusa que o país se prepara para levar à Conferência Mundial sobre o clima, no Egito, algumas experiências "bem-sucedidas" na área de mitigação das alterações climáticas.

A cidade egípcia de Sharm El Sheikh acolhe de 06 a 18 de novembro a 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, referida como COP27, e a Guiné-Bissau vai estar presente no encontro, com uma delegação de 20 técnicos ligados ao ambiente, disse Viriato Soares Cassamá, em entrevista à agência Lusa.

A delegação guineense será chefiada pelo Presidente do país, Umaro Sissoco Embaló, adiantou o ministro do Ambiente e Biodiversidade, lembrando que o líder guineense estará na conferência na qualidade de "'champion' de países menos avançados".

Viriato Soares Cassamá assinalou que o país vai aproveitar a ocasião para troca de experiências, mas também apresentar ações que têm sido levadas a cabo para mitigação dos efeitos das alterações climáticas na vida da população guineense.

O governante exemplificou com o projeto de reforço da resiliência e da capacidade de adaptação dos setores agrários e hídrico às alterações climáticas, implementado na região de Gabu, entre 2011 e 2017 e que, disse, teve "um grande impacto na vida da população e do gado bovino".

Gabu, no leste, é das zonas mais secas da Guiné-Bissau, tendo, regularmente, períodos de grande carência de água para agricultura e consumo animal, situações que o projeto conseguiu mitigar, observou o ministro.

"Conseguimos introduzir técnicas de culturas resilientes ao clima, introduzir sementes que resistam à pouca quantidade de água e temperaturas altas, conseguimos reduzir, em larga medida, a escassez de alimentos para o gado bovino com a introdução de uma espécie forrageira, também conseguimos multiplicar pontos de acesso à água, tanto para o consumo humano, como também para o gado bovino", afirmou Viriato Cassamá.

É esta experiência que a Guiné-Bissau vai apresentar na COP27 para que possa ser replicada em outros países africanos com os mesmos problemas de escassez de água, acrescentou.

O ministro do Ambiente e Biodiversidade da Guiné-Bissau realçou que o projeto "correu tão bem" que vai ter continuidade em Gabu e ser estendido para a região de Bafatá, também no leste do país, desta feita para englobar 200 'tabancas' (aldeias comunitárias).

A Guiné-Bissau vai ainda apresentar aos parceiros internacionais o projeto de adaptação e reforço de resiliência costeira, zonas próximas aos rios.

Viriato Soares Cassamá acredita que o projeto vai permitir aos habitantes das zonas costeiras "tirar mais proveito dos recursos naturais existentes e melhorar os seus modos de subsistência".

"Como se sabe, a Guiné-Bissau tem uma vasta zona costeira com cerca de 300 quilómetros da linha da costa, e, com o apoio das Nações Unidas, através dos fundos dos Países Menos Avançados, com o apoio do PNUD, o país iniciou a implementação deste grande projeto que irá reforçar a resiliência costeira da Guiné-Bissau, principalmente dando as ferramentas necessárias e úteis para fazer face ao clima, que está em mudança", sublinhou.

O projeto abrange os setores da pesca, agricultura, construção de infraestruturas resilientes ao clima, entre outros benefícios para a população costeira, concluiu o ministro do Ambiente e Biodiversidade.

 

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