FMI estima que o país vá ter uma recessão de 5,2% este ano. Tal acontece após a morte de Robert Mugabe.
A economia do Zimbabué está à beira de registar a primeira recessão económica desde 2008, dando corpo a uma crise económica caraterizada por uma inflação alucinante e uma dívida gigantesca que assusta os investidores internacionais.
A morte de Robert Mugabe, esta sexta-feira aos 95 anos, é mais um capítulo numa história económica sombria, cujo primeiro passo em falso foi a permissão de apropriação das herdades comerciais detidas pelos antigos colonos, no princípio dos anos 2000, o que, segundo lembra a agência de informação financeira Bloomberg, "fez colapsar as exportações agrícolas e a coleta fiscal".
Isto levou o banco central a imprimir dinheiro para o Governo poder garantir o pagamento aos funcionários públicos, e fez com que a inflação disparasse, ao ponto de os preços duplicarem todos os dias.
Além de uma inflação brutal, os 14 milhões de habitantes do Zimbabué enfrentam faltas crónicas de moeda estrangeira, pão, eletricidade e outros bens básicos, o que levou a manifestações durante este verão, que acabaram por ser agressivamente reprimidas pelas forças de segurança, que se mantêm leais a Emmerson Mnangagwa, o homem que substituiu Mugabe em 2017, colocando fim a 37 anos de poder de um dos mais antigos presidentes em exercício em África.
Mnangagwa tem feito um esforço significativo para reativar o funcionamento do país e reanimar a economia, tendo posto em prática um conjunto de reformas económicas com o objetivo de aliciar os investidores internacionais e convencer as instituições multilaterais da credibilidade e potencial do país.
No entanto, os 9 mil milhões de dólares em dívidas externas e a falta de capacidade para as saldar impede que instituições como o Fundo Monetário Internacional, que tem em curso um programa de assistência técnica, ou o Banco Africano de Desenvolvimento, possam voltar a emprestar dinheiro ao país.
O programa de austeridade gerou descontentamento entre a população, que saiu para as ruas em grandes manifestações em agosto, entretanto proibidas pelos tribunais, das quais resultaram 18 mortos e 91 detenções e a utilização de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.
Neste cenário de profunda crise, o instituto nacional de estatísticas deixou mesmo de publicar dados oficiais sobre a inflação, embora alguns economistas estimem que a subida dos preços oscila entre os 230% e os 570%, com os 400 mil funcionários públicos a viverem ao nível de uma "pobreza extrema", conforme definida pelo Banco Mundial para quem recebe menos de 1,90 dólares por dia.
O Zimbabué, país vizinho de Moçambique, tem enorme potencial económico, suficiente para impulsionar toda a região, de acordo com a Bloomberg, que lembra que era um dos principais produtos de grãos antes da independência do Reino Unido, e tem grandes reservas de ouro, platina, diamantes e outros metais e minerais.
O FMI estima que o Zimbabué vá ter uma recessão de 5,2% este ano e antevê que a inflação se situe à volta dos 73% em 2019.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.