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Hungria vai parar a sua única central nuclear por causa de onda de calor na Europa Central

Central de Paks, situada a cerca de cem quilómetros a sul de Budapeste, capital da Hungria, fornece cerca de 40% da produção anual de eletricidade do país.

01 de agosto de 2026 às 01:01

A única central nuclear da Hungria será desligada na próxima semana devido ao baixo nível da água do Danúbio, anunciou esta sexta-feira o Primeiro-Ministro Peter Magyar, no contexto de uma nova onda de calor que atinge a Europa Central.

A central de Paks, situada a cerca de cem quilómetros a sul de Budapeste, capital da Hungria, fornece cerca de 40% da produção anual de eletricidade do país.

O operador da central, cujos quatro reatores construídos com tecnologia da era soviética são arrefecidos com água bombeada do Danúbio, tinha avisado esta semana que uma paragem era "inevitável".

"Segundo os cálculos atuais (...) isto poderá acontecer na terça ou quarta-feira", afirmou Peter Magyar numa conferência de imprensa em Paks.

Na quinta-feira, aquele responsável tinha apelado às indústrias para reduzir voluntariamente o seu consumo de eletricidade, de forma a evitar uma crise energética.

Devido a défices de precipitação prolongados e ao calor extremo que afeta a Europa desde a primavera, as águas do Danúbio atingiram, por vezes, um nível historicamente baixo. E a situação pode piorar devido a novos recordes de calor.

O serviço meteorológico húngaro HungaroMet prevê temperaturas de 40 a 41°C nos próximos seis dias.

Kata Serfozo, 36 anos, uma designer em gozo da licença de maternidade em Budapeste, diz passar muito tempo ao ar livre, à sombra, porque dentro de casa é obrigada a ficar na escuridão, com os estores fechados e as cortinas corridas.

Milhares de habitantes da cidade de Szentendre, a 20 quilómetros a norte de Budapeste, estão também privados de água corrente e o exército foi mobilizado para transportar água em camiões cisterna.

"O calor e a falta de água pesam-me realmente, muito", confidencia à AFP Janos Keresztes, um reformado de 75 anos encontrado nesta cidade. "Porque mesmo que eu consiga obter água potável suficiente junto do camião cisterna, não é suficiente para tomar banho", acrescentou.

Na Eslováquia, os alertas de calor abrangem todo o país, com o nível máximo registado no sudoeste. As temperaturas irão variar entre 34 e 39°C até domingo, segundo o instituto hidrometeorológico eslovaco SHMU.

Em Bratislava, as autoridades instalaram mais de 30 pontos de refresco, oferecendo, entre outros, espaços climatizados, água potável e sanitários.

Os serviços meteorológicos eslovacos também alertaram para um elevado risco de incêndios florestais em grande parte do país.

A Eslovénia enfrenta riscos semelhantes. A Agência Eslovena do Ambiente (ARSO) colocou o oeste do país em risco de incêndio "extremamente elevado" e foram proibidas muitas atividades que possam provocar o início de fogos.

"Esta vaga de calor será excecional "pela sua duração, não apenas pelas altas temperaturas", destacou o climatologista Gregor Vrtacnik, durante uma conferência de imprensa da ARSO hoje em Liubliana.

"O período com temperaturas diárias superiores a 35 graus terá uma duração recorde", acrescentou o meteorologista Branko Gregorcic.

Na costa do Adriático esloveno, a temperatura do mar poderá superar o recorde histórico de 30,4°C registado em 2010.

Na Roménia, estão em vigor alertas amarelo e laranja na metade ocidental do país, onde as temperaturas poderão atingir os 40°C neste fim de semana.

Na Áustria, o recorde de temperatura para um mês de julho foi batido hoje à tarde na estação meteorológica de Wieselburg, na Baixa Áustria (leste), com 40,3°C, anunciou o serviço meteorológico nacional GeoSphere Austria. O recorde anterior, de 39,7°C, datava de há 43 anos.

Segundo a GeoSphere Austria, esta nova vaga de calor surge enquanto o país já enfrenta uma seca qualificada como "extrema". "Desde o início do ano, faltam cerca de 30% das precipitações", destacou a GeoSphere, tornando os sete primeiros meses de 2026 os mais secos observados desde o início do século XX.

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