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Imigrantes resgatados do Mediterrâneo relatam horrores

Traficantes detidos.

07 de agosto de 2015 às 16:54

Dias depois de um naufrágio ao largo da costa da Líbia que poderá ter causado mais de 200 mortos, alguns do imigrantes resgatados relataram às autoridades italianas horrores vividos durante a travessia e o desastre.

"Testas marcadas com facas para os africanos que não obedeciam a ordens" e "pontapés e murros na cabeça" estão entre os relatos que deixam poucas dúvidas quanto à culpa dos traficantes pela morte de centenas que se terão afundado com a embarcação, segundo o diário italiano La Repubblica.

Quando o barco começou a ter dificuldades, os traficantes fecharam os imigrantes de etnia africana num compartimento do barco e ordenaram aos de outras etnias que se sentassem em cima das portas, para os impedir de sair.

Quando a embarcação se afundou, "os cerca de 200 imigrantes africanos trancados tiveram um fim horrível", relata o jornal.

Graças aos testemunhos, as autoridades italianas prenderam cinco suspeitos, dois argelinos e três líbios.

"Muitas pessoas morreram", afirmou à agência Lusa Regina Catrambone, que juntamente com o marido gere a organização não-governamental Migrant Offshore Aid Station, que opera um navio que participa na ajuda às embarcações com migrantes.

"Estávamos a 50 milhas náuticas (cerca de 93 quilómetros) da zona, por isso não fomos o navio identificado para realizar o salvamento", em que participaram "três navios governamentais, dois italianos e um irlandês", e "uma embarcação dos Médicos sem Fronteiras".

Regina Catrambone acrescentou que a sua embarcação chegou "muito mais tarde", tendo imediatamente lançado 'drones' (aviões não tripulados) para tentar localizar as "muitas pessoas desaparecidas".

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