jornalistas e cidadãos são as principais vítimas das violações à liberdade de expressão no país.
As agressões, intimidação e a censura estão a dificultar o trabalho jornalístico na Venezuela, denunciou esta terça-feira a ONG "Espacio Público" (EP), alertando que jornalistas e cidadãos são as principais vítimas das violações à liberdade de expressão no país.
"Em março documentamos 16 casos e 34 violações do direito à liberdade de expressão. 12 jornalistas e dois operadores de câmara foram vítimas de ataques no exercício da sua profissão" explica a ONG no relatório "Março: censura generalizada".
A EP sublinha ainda que "entre as vítimas, registámos também dois particulares, dois meios de comunicação social e uma organização da sociedade civil".
"Pelo menos quatro instituições do Estado, três organismos de segurança, três funcionários e um representante do Poder Executivo, impediram ou agrediram o pleno exercício deste direito fundamental", explica.
A ONG explica que em 7 de março seis trabalhadores da imprensa "foram agredidos e ameaçados por simpatizantes do 'oficialismo' (Governo) enquanto faziam a cobertura de um protesto de cidadãos na Praça Bolívar de San Féliz (sul do país) que reclamavam pelos altos custos" da gestão de resíduos urbanos local.
Os agressores, "pessoas identificadas com o partido do Governo, entre eles uma deputada e um autarca do Município Caroní" impediram os jornalistas de "entrevistar os manifestantes".
Por outro lado, em 13 de março, funcionários da Polícia de Monágas, "intimidaram os jornalistas" dos canais de televisão Globovisión e Venevisión, e da Unión Rádio, "enquanto recolhiam imagens de apoio no Paseo Bolívar de Maturín".
Em 23 de março, o deputado Carlos Pacheco, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) "insultou e ameaçou agredir fisicamente o jornalista Miguel Salazar", por ter denunciado nas redes sociais uma alegada situação de corrupção na indústria petrolífera venezuelana.
A EP denuncia ainda que, em março, foi suspenso o programa "Par de Calvos" do jornalista Vladimir Villegas e do apresentador de televisão Pedro Carvajalino, transmitido no Youtube e redes sociais, "por alegadas pressões de setores de linha dura no 'oficialismo' (Governo)".
Também que, em Carúpano, foi suspenso o programa radiofónico Buenos Dias com Lira, porque a direção da 101.1 FM teria recebido uma advertência de que lhe o equipamento lhes seria confiscado.
Por outro lado, no estado de Lara, "pressões de um autarca 'oficialista'" do município Urdaneta, levaram à suspensão, em 20 de março, do programa radiofónico "Arbenis com el Pueblo" que se transmitia pela rádio 96.5FM, para evitar que a estação fosse encerrada.
No estado de Portuguesa, a Comissão Nacional de Telecomunicações (CONATEL), encerrou, em 24 de março, a rádio Chabasquen 106.7 FM, próxima de um partido opositor venezuelano. Funcionários da CONATEL e da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) confiscaram os equipamentos da rádio, entre eles um transmissor, uma consola e um computador.
A EP denuncia ainda que em 3 de março foi intimida uma cidadã de uma farmácia do Instituto Venezuelano de Segurança Social, depois de documentar com fotografias alegadas irregularidades na entrega de medicamentos e maus-tratos a pacientes.
Em 6 de março a página web da ONG Caleidoscópio Humanos foi vítima de ataques cibernéticos, quando cobria protestos laborais de trabalhadores do setor público.
"Em março, se acentuaram as falhas de Internet em várias regiões do país através da operada estatal CANTV (a principal do país). Em 1 de março se registou uma queda da conectividade em vários estados e de mais de 20 horas", explica a EP.
As falhas de Internet, algumas delas por cortes de fibra ótica devido a vandalismo, registou também em 2, 7, 17, 21 e 27 de março.
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