Banco Africano de Desenvolvimento alerta para a necessidade de "escolhas certas" e da diversificação da economia.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defende que o novo ciclo de investimentos na exploração de gás em Moçambique coloca o país como potencial líder económico regional, mas alerta para a necessidade de "escolhas certas" e da diversificação da economia.
"Moçambique está a candidatar-se para ser um líder económico regional, especialmente como porta de entrada da África Austral. Portanto, potencialmente as escolhas certas no campo do gás, acompanhados com escolhas de diversificação económica podem criar uma das maiores histórias de sucesso no continente africano", disse diretor do BAD em Moçambique, Pietro Toigo, em entrevista à Lusa.
Para Pietro Toigo, o país deve apostar neste período, que separa os anúncios de investimentos e o início da exploração (previsto para 2024), para investir noutros setores fundamentais, com destaque para a agricultura.
"É preciso agir agora. Durante este tempo, é importante investir na industrialização e produtividade da agricultura", acrescentou o diretor do BAD em Moçambique.
Pietro Toigo lembra ainda que um dos principais benefícios de ter o gás é o facto de este recurso ter uma "cadeia de valor muito complexa", destacando o seu papel no desenvolvimento e produtividade em diferentes setores industriais.
"Há agora muitas oportunidades para utilizar o mesmo gás em várias setores no processo de diversificação económica", declarou o diretor do BAD em Moçambique.
Pietro Toigo admite que há desafios, nomeadamente a segurança, em alusão à ação de grupos armados na província de Cabo Delgado, palco dos principais investimentos na indústria de gás, e a crise económica que o país atravessou nos últimos anos.
"Há desafios no desenvolvimento de todos países e em Moçambique os desafios são grandes, mas o país tem oportunidade agora de passar para outra etapa de desenvolvimento. É um período histórico", concluiu o diretor do BAD em Moçambique.
O anúncio em junho do consórcio que vai operar na área 1 da bacia do Rovuma, norte do país, na exploração de gás natural relançou as expectativas e atenções sobre a indústria extrativa em Moçambique.
O consórcio, liderado pela multinacional norte-americana Anadarko, vai fazer um investimento total de cerca de 25 mil milhões de dólares (cerca de 22 mil milhões de euros), dedicando-se à extração, liquefação e exportação marítima de gás natural na área.
O anúncio de outro investimento do mesmo montante está previsto para o segundo semestre para a Área 4 da Bacia do Rovuma, num consórcio liderado pela Eni e Exxon Mobil.
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