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Islamitas querem expulsar ocidentais

O Islão é a ideologia alternativa e a solução para acabar com a exploração e hegemonia capitalistas”. A frase está inscrita numa t-shirt posta à venda em Londres pela organização extremista islâmica Hizb ut-Tahrir ou HT (Partido da Libertação), que ontem reuniu em Jacarta mais de cem mil islâmicos de todos os cantos do Mundo. O encontro na capital britânica, na quinta-feira, foi a rampa de lançamento do comício maciço na Indonésia, onde o partido reiterou a defesa de um ‘Califado’ para unir o Médio Oriente no respeito pela lei de Deus. A expulsão da influência ocidental dos países muçulmanos é a via paralela à criação da irmandade (‘Ummah’) islâmica.

13 de agosto de 2007 às 00:00

A organização sunita afirma querer implantar o ‘Califado’ de forma pacífica, mas o seu secretismo – não divulga, por exemplo, o número de seguidores – e ideologia fundamentalista levaram muitos países do Médio Oriente e Europa a ilegalizar o Hizb ut-Tahrir.

A reunião de Jacarta, para a qual foi arrendado um estádio, foi reputada de grande sucesso pelos organizadores e, de facto, teve uma afluência maciça. No entanto, boa parte das personalidades convidadas para discursar cancelaram à última hora ou foram impedidas de participar pelas autoridades indonésias. Um deles foi Abu Bakar Bashir, presumível líder espiritual da Jemaah Islamiyah, grupo radical responsabilizado pelos atentados de 2002 em Bali. No seu caso, foi a própria HT a solicitar a não comparência por razões de segurança. Mas dois activistas, um do Reino Unido e outro da Austrália, tiveram a entrada barrada pelas autoridades. Já o representante palestiniano não conseguiu deixar os territórios ocupados.

ENTRADA NO TERRORISMO

Para os críticos, a ideologia do Partido da Libertação, defendendo a incompatibilidade entre o Islão e a democracia, é a porta de entrada no terrorismo. O ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu, por isso, a ilegalização do grupo, mas os tribunais alegaram haver falta de provas de actividades violentas. Noutros países, como a Alemanha, a proibição foi avante.

Londres é, por isso, um dos principais focos de difusão da ideologia do ‘Califado’. Na reunião de quinta-feira, as cerca de duas mil pessoas presentes escutaram discursos acusatórios ao Ocidente, e ao Reino Unido em particular, onde, à luz dos princípios do HT, os islâmicos nunca podem ser fiéis à religião e considerar-se, simultaneamente, britânicos.

5000 é o número estimado de simpatizantes activos do Hizb ut-Tahrir no Reino Unido, país ocidental de maior implantação da organização.

1950 é a década em que é criado, em Jerusalém, o Hizb ut-Tahrir. O seu criador foi o palestiniano Taqiuddin an-Nabhani.

LEI CORÂNICA

A criação de um ‘Califado’, ou Estado islâmico único, no Médio Oriente, é considerada a organização política ideal, pois visa um governo segundo as leis de Deus tal como delineadas no ‘Alcorão’.

CALIFADO

A ideia do ‘Califado’ como organização política remonta a Maomé, visto como o primeiro ‘Califa’ ou líder dos muçulmanos unidos.

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