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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Israel acusa Sánchez de ser "uma vergonha para Espanha" após cancelamento da etapa final

Depois da invasão das vias por onde devia passar o final da Vuelta, seguiram-se cargas policiais e as autoridades usaram gás lacrimogéneo.

14 de setembro de 2025 às 22:03

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita acusou este domingo o primeiro-ministro Pedro Sánchez de ser "uma vergonha para Espanha", depois de a última etapa da Vuelta em bicicleta ter sido cancelada devido a protestos pró-palestinianos.

Gidéon Saar afirmou que Sánchez e o Governo "incentivaram os manifestantes a sair às ruas" para travar a corrida, considerando que o episódio representa um sinal de cumplicidade com os protestos.

"Sánchez e o seu governo: a vergonha de Espanha", escreveu Saar na rede social X.

Depois da invasão das vias por onde devia passar o final da Vuelta, no centro de Madrid, seguiram-se cargas policiais e as autoridades usaram gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes.

Às 20:00 (19:00 em Lisboa), dezenas de pessoas continuavam a ocupar alguns pontos das ruas e avenidas da cidade, sem registo de feridos ou danos significativos devido às manifestações e à resposta policial.

As manifestações pró-Palestina e contra a participação da equipa israelita Israel-Premier Tech marcaram toda a edição deste ano da Vuelta, desde a primeira etapa. Para a final, as autoridades espanholas tinham mobilizado mais de 1.500 polícias, num dispositivo de segurança considerado o maior de sempre para um evento desportivo em Madrid e o maior desde a cimeira da NATO de 2022. Ainda assim, os manifestantes conseguiram invadir o circuito da etapa e parar o pelotão a 56 quilómetros da meta.

O cancelamento da última etapa desencadeou também uma forte polémica política em Espanha.

O líder da oposição e do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, acusou o Governo de ter instigado os protestos e de provocar "um ridículo internacional transmitido em todo o mundo".

Por seu lado, membros do executivo, incluindo Sánchez e a vice-primeira-ministra Yolanda Díaz, defenderam publicamente as manifestações em apoio à Palestina.

Esta manhã, antes do início da etapa da Vuelta que não chegou a terminar, Sánchez manifestou "admiração pelo povo espanhol que se mobiliza por causas justas como a da Palestina", referindo-se de forma concreta aos protestos que marcaram a prova desde o primeiro dia, inicialmente focados contra a participação da equipa israelita Israel-Premier Tech.

Depois do cancelamento da última etapa da Vuelta deste ano, Yolanda Díaz considerou que os protestos de este domingo e durante toda a prova são "um exemplo de dignidade" perante "o genocídio em Gaza".

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