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IURD lamenta que Governo angolano reconheça "legitimidade de criminosos"

Em causa está uma série de atentados contra o grupo neopentecostal no país africano.

13 de março de 2021 às 00:23

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) lamentou esta sexta-feira, em declarações à Lusa, que o Governo angolano tenha, alegadamente, reconhecido a "legitimidade dos criminosos que cometeram uma série de atentados" contra o grupo neopentecostal no país africano.

"A IURD lamenta as recentes declarações de autoridades do Governo de Angola, que, supostamente, teriam reconhecido a legitimidade dos criminosos que cometeram uma série de atentados contra a Universal e as leis do país africano. (...) A Universal espera que as autoridades angolanas mantenham a postura revelada até agora, de respeito ao Judiciário, às leis do país e aos tratados internacionais, como a própria Declaração Universal dos Direitos Humanos", indicou a Igreja, num comunicado enviado à Lusa.

Em causa está uma entrevista à televisão pública do ministro da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola, Jomo Fortunato, em que afirmou que a nova direção local da IURD é a interlocutora formal do Estado, exortando os contestatários a aceitarem a decisão.

"Quem não se revê nessa direção tem de optar pelo diálogo e pela reconciliação", afirmou Jomo Fortunato, numa entrevista na quinta-feira à noite à Televisão Pública Angolana (TPA).

Para o Governo, "já não há conflito" no seio da IURD depois da eleição, pela ala angolana, do bispo Valente Bizerra Luís, no início de fevereiro, pondo fim à comissão de reforma, em funções desde novembro de 2020.

A legitimidade desta assembleia-geral tem sido contestada pela anterior direção da IURD Angola, afeta à hierarquia brasileira, da qual saiu a ala dissidente que foi agora legitimada.

Contudo, segundo o ministro angolano da Cultura, a assembleia-geral extraordinária que elegeu Valente Bizerra Luís foi realizada com base nos estatutos da IURD e, do ponto de vista legal, o resultado foi confirmado pelo Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos (INAR).

No comunicado enviado à Lusa, a IURD no Brasil indicou que a comissão da reforma mencionada pelo ministro angolano "é formada por um grupo de ex-pastores, expulsos por gravíssimos desvios de conduta, que atacou e invadiu diversos templos da Universal naquele país".

"Desde então, com clara motivação xenofóbica, esse grupo vem praticando uma série de atos criminosos de agressão física, psicológica, ameaças, difamações e perseguição religiosa", salientou o departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da IURD no Brasil.

Entre os crimes apontados pela IURD aos membros da comissão de reforma está ainda a falsificação de uma ata de assembleia, com o objetivo de encerrar "o serviço eclesiástico pela Universal dos missionários brasileiros em todo o território nacional".

Esses "invasores já foram condenados pela Justiça angolana, por agirem 'de forma premeditada, coordenada e organizada para amplificar e instigar o ódio, a violência religiosa e racial'. O tribunal censurou, ainda, a estratégia do grupo de espalhar mentiras pela imprensa, procurando sentenciar o fim da Universal em Angola", frisa o texto.

A crise na IURD em Angola resulta de divergências entre pastores e bispos angolanos e brasileiros sobre a gestão dessa instituição e queixas de humilhações, discriminação e crimes económicos.

Após meses de conflitos e convulsões internas, a IURD em Angola cindiu-se, tendo a ala dissidente (angolana) criado uma Comissão de Reforma, em divergência com a direção brasileira, que agora diz estar legitimada numa nova IURD de Angola.

Na nota enviada à Lusa, a IURD no Brasil reiterou o alerta à comunidade internacional "sobre os riscos que este grave precedente abre contra a liberdade de religião no mundo".

"A Universal tem convicção de que prevalecerão o direito, a verdade, o respeito à liberdade religiosa, ao culto e à crença de milhares de cidadãos angolanos, fiéis da Igreja, que clamam por justiça e que são contra os pastores expulsos", conclui o texto da igreja fundada por Edir Macedo.

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