page view

Jovem de 26 anos é o primeiro a ser executado por participar em protestos no Irão. Terá 10 minutos finais com a família

Erfan Soltani foi detido durante protesto anti-governo e condenado a pena de morte por enforcamento, no Irão.

13 de janeiro de 2026 às 15:44

Erfan Soltani, um manifestante iraniano de 26 anos, será a primeira vítima a ser executada, no âmbito dos protestos políticos contra o regime do Irão, de acordo com grupos de direitos humanos.

Erfan terá apenas direito a 10 minutos com a família antes de ser enforcado, na quarta-feira, por ter participado num protesto anti-governo, na passada quinta-feira. O dono de uma loja de roupa foi detido em casa, ficou em prisão preventiva e foi condenado a pena de morte, segundo o jornal Daily Mail.

Soltani é um dos mais de 10 mil indivíduos que foram detidos nos protestos que começaram no final de 2025, de acordo com os dados da Nova Agência de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, sigla em inglês).

A família ficou em "choque" com a situação, contou Arina Moradi, membro da Organização Hengaw para os Direitos Humanos. "O filho deles nunca foi um ativista político, apenas fazia parte de uma geração mais nova que protestava contra a situação atual do Irão", disse.

"[Soltani] não teve acesso ao advogado, a condenação não foi clara e [as autoridades] não deram à família a informação oficial", afirmou Moradi. "Ele foi detido na última quinta-feira e não houve nenhuma informação sobre ele durante vários dias, antes das autoridades telefonarem à família e dizerem que tinham detido o filho deles e que seria executado na quarta-feira, ou seja, amanhã", explicou Moradi.

De acordo com o último balanço das autoridades, cerca de 2 mil pessoas foram mortas nos protestos.

Devido ao apagão de internet no Irão, os membros da organização de Moradi não conseguiram falar com a família de Soltani para adquirir mais detalhes sobre a situação. Moradi explicou que o mais provável é que o jovem esteja a ser torturado e abusado na prisão. 

Embora Soltani seja alegadamente a primeira pessoa a ser executada desde o início dos protestos a 28 de dezembro de 2025, o Irão utilizou a prática para suprimir vozes dissidentes durante anos. Em 2025, foram executadas mais de duas mil pessoas em 91 cidades do país, segundo dados do Comité Nacional de Resistência do Irão.

A organização Hengaw foi informada por uma fonte que a irmã de Soltani, que é advogada, tentou pegar no caso através de meios legais, mas as autoridades impediram o acesso ao processo.

A organização afirmou que o caso é "uma clara violação do direito internacional dos direitos humanos".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8